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Rir e Comer Bolachas

Tirania dos tempos modernos

Há dias, enquanto almoçava, toca o telemóvel. Tirei-o da mala, calculei quem fosse e não atendi. Estava a almoçar e só me dei ao trabalho de ver quem era porque podia ser o meu filho ou outro alguém importante, mas não era, era a Deco-Proteste. Já disse que não queria aproveitar promoção nenhuma, nem assinatura disto ou daquilo, já pedi para ligarem depois das 20h mas não adianta. De maneira que não atendi. A minha mana, que estava a almoçar comigo, estranhou e perguntou "Não atendes?", respondi que não, ficou a olhar para mim como se eu fosse um bicho esquisito...

Porque é que tenho obrigação de atender o telefone? Nem sempre quero, nem sempre tenho vontade de atender uma chamada. Estar contactável não quer dizer estar disponível. Embora esta chamada tenha sido um caso isolado, porque normalmente atendo por saber que o meu filho não está comigo e pode ser da escola, ou porque o meu pai está internado e pode ser da unidade de cuidados, ou casos semelhantes, é errado pensar que tenho obrigação de atender. E isto não é um pensamento assim tão estranho porque vejo várias pessoas revirarem os olhos quando o telefone toca. Ou até falarem com ele, tipo "Tu, outra vez???" ou "Opá, o que esta quer agora?".

Não atendo sempre mas retorno as chamadas quando estou, de facto, disponível. Pelo menos, para quem quero.