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Rir e Comer Bolachas

Sanguessugas de bom-humor

Tenho orgulho em ser uma pessoa transparente, cujas emoções e/ou estão à vista e ao ouvido dos mais atentos embora isso me traga mais problemas que benefícios. Se a nível pessoal acredito que todos beneficiam dessa característica, a nível profissional não faz qualquer sentido: ninguém precisa de saber o que penso, sou paga para fazer o que me pedem e não me pedem opiniões acerca do que me mandam. Simples, não é? Para mim, não. Eu existo, logo penso, e logo mostro o que penso, quer seja através do meu tom de voz ou do olhar, mesmo que não o diga com as palavras.

"Você não me está a ouvir, ouça!" dizia-me o xôtor, e eu respirei fundo e ouvi. Ouvi pela 300ª vez, porque o xôtor adora ouvir-se e adora dramatizar coisas que, a mim e desconfio que ao mundo inteiro, parecem simples. E interrompi-o, sim, para lhe dizer que se está mal, corrige-se! Nada é inalterável, nada é definitivo, há-de ver alguma forma de ser feito. O meu tom de voz denunciou-me, porque falta-me paciência para queixas pouco produtivas... Tolero queixas se vir esforço na resolução, se me pedirem também ajudo se conseguir, agora queixar por queixar? Eh pá, pronto, está bem, também me pagam para ouvir, acho eu. Fora do trabalho, nem pensar!

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Dou muita importância às palavras e não faz sentido, para mim, ser de outra forma - é a melhor forma de comunicação que existe. As palavras, mesmo as escritas, têm o poder de ficar no ouvido, e fazem eco, fazem-se ouvir mesmo quando não é conveniente. Têm o poder de ser a primeira pedra de uma fundação ou de fazer cair uma construção sólida. Uma palavra constrói um ego ou inicia uma vida inteira de dúvidas. Palavras são abraços que se dão e duram anos, são fonte de força e certeza, ou murros no estômago, de tão secas e inesperadas que foram, e magoam para lá do momento. Magoam quando são ditas, e magoam vezes sem conta ao serem lembradas. As palavras marcam tanto que marcam até por não serem ditas.

As mães

Lembro-me de olhar para a minha mãe e achar que ela tinha poderes extraordinários muito antes de valorizar a capacidade de trabalho ou sacrifício, achava que ela tinha qualquer coisa extra porque adivinhava as asneiras que eu fazia, ou porque antecipava o que eu pensava. Claro que não tinha poderes nenhuns, tinha mais anos e experiência o que lhe dava um enorme avanço em relação à minha esperteza, que nunca foi grande, diga-se... Hoje vejo o mesmo passar-se com o meu filho e acho piada. Se por um lado aborrece-se porque eu percebo o que ele tinha disfarçado tão bem, por outro acha que eu sou a maravilha das maravilhas.

O que não esperava era constatar, aos 33 anos, que esse fenómeno ainda acontece comigo e com a minha mãe.:)