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Rir e Comer Bolachas

Camões e o cromo

Antes do Natal começámos a perguntar ao Dinis quais os presentes que gostava de ter, à espera das respostas do costume, não sei quê para a Wii, o Pes não sei quantos, mais o Fifa, e futebol a rodos... Mas não, o item nº 1 era os Lusíadas. Hum, hum! Aguardámos que passasse, visto tratar-se de uma coisa que ele tinha encontrado para chamar a atenção, armar-se em engraçadinho, chocar os mais distraídos. Não passou, e começou a divulgar o presente perfeito por toda a gente, sendo que a resposta que lhe davam era a mesma: "não é para a tua idade!" e ele, como bom teimoso que é, deixou-se ficar e voltou à carga no aniversário, Lusíadas, Lusíadas, Lusíadas...

O aniversário passou, os presentes chegaram e nada de Lusíadas, até que o meu colega de trabalho, conhecedor deste desejo profundo, ofereceu-lhe o exemplar que tinha em casa. Ontem. E ele ainda não o largou. Esta manhã estava a ler em vez de se vestir, foi a ler no carro e quando lhe disse pela enésima vez que a poesia não é como a prosa, que não pode ser lida de forma corrida, tem que ser saboreada, interiorizada, degustada lentamente, ele olhou-me como se falasse outra língua... E perguntei "Que obsessão é essa? De onde veio essa vontade toda? Quem te falou em Luis de Camões?", resposta: "Vocês é que estão obcecados... Qual é o problema? Gosto, pronto. E, ó mãe, Luis Vaz de Camões faz parte da história..." Tipo duhhh, claro que sei quem é Camões, preciso lá que me digam quem é o gajo!

Acho que o meu filho é um cromo. O mais espetacular da minha caderneta, mas um granda cromo!