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Rir e Comer Bolachas

Da crise (mas ao contrário)

Acho graça às pessoas, leia-se patrões, que se acham no direito de explorar funcionários apenas porque "tiveram olho" para abrir uma Empresa, ou seja, são patrões, logo, podem, se não quiserem assim, resolve-se bem: abram uma Empresa. Certinho. Somos um País de patrões, o pessoal está bem é a mandar, se possível explorar, e cara alegre, que há muita gente a precisar.

A maioria dos patrões que conheço (exceção feita ao meu, justiça lhe seja feita) não sabe dar o valor ao trabalho porque nunca chegou a casa com o ordenado mínimo nacional, muito menos, depois de ter trabalhado anos. São estes os mesmos patrões que não querem funcionárias porque faltam mais, para dar apoio aos filhos, para ir ao médico, reuniões escolares, etc. "Abram Empresas" é muito fácil de dizer são precisos meios que não estão ao alcance de todos... E já agora, abrir uma Empresa para vender a quem? É que o problema, parece-me, é falta de poder de compra. Abrir uma Empresa resolve o quê?

Faz-me lembrar o discurso do nosso Primeiro, que até podia ser bem-intencionado, mas revela falta de conhecimento do povo que governa, do país real, da vida de todos os dias. O desemprego não é uma oportunidade quando o país está parado por falta daquilo que move o mundo: dinheiro! Não há boa vontade, nem empenho, nem mérito, nem talento, que suprima a falta deste bem. Já dizia a minha avó: sem ovos não se fazem omeletas!

Até que enfim, discurso novo!

A conversa à hora de almoço foi um bálsamo. Não houve conversas de crise, de falta de dinheiro, de desgraças, nem de doenças, falou-se de um projeto novo, de mudanças, ideias. Nem sequer tem nada a ver comigo, mas fico contente! Estou farta, tão farta, desta cabr@ desta crise que só me apetece puxá-la pelos cabelos e fechá-la num armário, apertadinho! A crise e as pessoas que se alimentam dela, cujas conversas são como um cancro e se espalham, até não restar mais esperança, mais nada. É que já não há paciência para mais conversas dessas, arre! O que sugerem, suicídio coletivo?

 

São muitas as dificuldades, já sabemos que está tudo muito caro e tudo o que está inerente. A sério, já sabemos! Já tenho medo de ir à caixa do correio (=contas), antes de ligar qualquer interruptor penso se é necessário, até lavo louça e roupa à mão (não tudo, claro), e ainda sou das sortudas que vai tendo trabalho... Por isso, e falo por algumas pessoas também, sei o que é. Não preciso de mais noticiários, nem grandes reportagens com o mesmo assunto. Se é para fazer alguma coisa, chamem-me, se for para mais queixinhas e desgraças, deixem-me sossegado, por favor. Tenho um filho para criar e não o faço com uma depressão (que também sei o que é, obrigadinha).

 

Falem-me de outra coisa. Falem-me de soluções, puxem-me pela imaginação e façam-me falar de ideias. Não paga contas, pois não, nem as desgraças! Por isso, fiquei contente e espero que corra tudo pelo melhor, e que tenham sorte porque o talento e trabalho já têm com fartura.