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Rir e Comer Bolachas

Maravilhosa adolescência

Depois de levar um valente raspanete, o meu filho acha-se no direito de ficar sisudo e calado, qual dama ofendida, enquanto experimenta vários pares de calças numa loja. De vez em quando, abre a cortina e mostra como fica, e eu, faço o meu ar de quem não reparou qye ele está com mau-feitio, e vou comentando se gosto, se ficam bem e tal.

- Então gostas de te ver? 

- Sim.

- Essas não são iguais às tuas?

- Não. São parecidas.

- Mas gostas muito ou pouco? Preferes estas ou as anteriores? Ou gostas das duas? Ou não queres levar nenhumas? - já a ficar impaciente com os monossílabos.

- É igual.

- É igual, não. Temos que comprar dois pares, por isso, tens que escolher. 

- Essas e as anteriores.

Agarro nas calças e afasto-me para pagar enquanto ele se veste.

- Mãeee!...

- Sim?

...

- Traz essas... São as que tinha vestidas...

Os cães ladram e a caravela* não passa

Eu não sei brincar a isto. Ser mãe para algumas pessoas é tão natural como respirar, para mim, não. Não é natural e é uma fonte (aparentemente inesgotável) de dúvidas. Toda eu sou dúvidas.

Também, aparentemente, não estou a fazer um trabalho nada exemplar, nada fantástico, nada que se veja. Caramba! Isto é mesmo, mesmo, mesmo difícil. Raios me partam se não faço daquele miúdo um miúdo à maneira!
A partir de hoje mudam as regras todas lá de casa, possivelmente, até as minhas tenho que mudar. Nunca fui muito de regras rígidas mas está na hora de mudar isso - havemos de mudar até acertar ou, na pior das hipóteses, até ele ter  casa própria e mandar à fava as regras da mãe.

Se calhar isto era o que a minha mãe dizia quando a adolescente era eu mas tenho a sensação de que os miúdos hoje andam parvos do que nós com a mesma idade. Ou com mais tecnologia para usar a parvoíce.

 

*caravela, e não caravana, em homenagem ao Jorge Jesus (também conhecido por assassinar provérbios)

Diz que é a adolescência

Costumo almoçar na casa do meu irmão por ser perto do sítio onde trabalho, que, por sua vez, é perto de uma agrupamento de escola. Todos os dias, ou quase vá, tenho que desbravar caminho para conseguir entrar dentro do prédio já que os degraus estão sempre ocupados por adolescentes, que resolvem ir para ali almoçar. Ou namorar. Montam ali o arraial deles e estão-se nas tintas para quem chega, alguns ainda se desviam, outros nem isso...

E isto faz-me um bocado confusão! Aquele prédio não tem nada de especial, nos prédios circundantes acontece o mesmo fenómeno. Será moda?