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Rir e Comer Bolachas

Só que não

Descobri em terapia que tenho muitas cenas para resolver. Lembro-me de um exemplo que ele deu logo no início. Disse ele que, à medida que íamos avançando, as coisas iriam parecer piores - era como acender a luz num quarto desarrumado. Sabíamos que estava mauzito mas a escuridão ajudava a parecer melhor. E para arrumar e limpar tudo, tínhamos muito para desarrumar.

Sei agora que tenho coisas a perdoar. Coisas que não soube arrumar, coisas que deixei ficar no escuro, à espera que se desfizessem sozinhas. Não é assim que funciona. Ao contrário do que seria de esperar, estas coisas quando não são olhadas de frente, e resolvidas, alimentam-se das nossas entranhas e crescem, e crescem. Custa-me muito perdoar. Custa-me muito mais perdoar-me. 

De todas as pessoas que precisei de perdoar, a única que não consigo sou eu mesma. Digo que sim, que me perdoo, e que os meus erros e tropeços fazem de mim quem sou hoje, e gosto de quem sou hoje. Mas é mentira. Sim, eu gosto de partes de mim, gosto muito, mas tenho outras difíceis de digerir. Que me atrasam a vida, que me puxam para trás, que me tiram o sossego, que me mentem e dizem que não consigo fazer melhor porque sempre fiz assim, e sempre farei. Porque é mais fácil acreditar no que temos de pior do que o contrário.

Diz a terapia que aquilo a fazer é apenas e só aceitar. Aceitar-me. E amar-me assim. Fácil, não é?

Só que não.

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