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Rir e Comer Bolachas

Prefiro viver na ignorância (mas não me deixam)

Há muitos anos atrás, a minha sobrinha mais velha não queria levantar-se da cama e preparar-se para ir à escola. A minha mãe, que a preparava para sair, na tentativa de a convencer dizia-lhe que tinha que ser, que ela tinha que fazer esse sacrifício se queria aprender coisas novas, e saber ler e fazer contas, ao que ela responde "Mas eu quero ser burra!". Lembrei-me disto hoje porque também eu queria ser burra, e já agora, não ter que me levantar tão cedo. Queria ser burra porque dispensava, de boa vontade, metade das coisas que tenho vindo a aprender. Queria ser burra porque, quanto mais das pessoas conheço, mais desalentada me sinto.

Se é verdade que a pessoa que nos tornamos devemo-lo à sabedoria que vamos acumulando, também o é que esse mesmo conhecimento não nos torna necessariamente melhores. Sou uma pessoa pior por tudo aquilo que sei, por tudo aquilo que me fizeram saber mesmo não querendo aprender. Quando digo que prefiro viver na ignorância, estou mesmo a falar a sério. E invejo os adolescentes na força que tem, na crença das suas certezas, na vontade de fazer um mundo melhor, rodeados de bons amigos (os seus, obviamente, porque são os melhores) e gente perfeita. Porque, à medida que o tempo passa e vamos entrando na vida adulta, vamos percebendo de que massa as pessoas são feitas, vamos percebendo o egoísmo e mesquinhez, a ganância, e tantas outras coisas negras. A única coisa positiva, é que as pessoas diferentes destas que descrevi antes, até brilham no meio dessa escuridão toda.

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