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Rir e Comer Bolachas

Há pessoas e pessoas (e depois há os artistas)

Existem dois tipos de pessoas: as que vivem que dentro das regras e as que conseguem saber se as regras se lhes aplicam. Eu faço parte das primeiras, as que são cheias de regras e regrinhas, de obrigaçõesinhas, de salamaleques, mas vivo com o sonho de ser uma rebelde. De vez em quando lá me passo da marmita e faço qualquer coisinha assim na loucura (especialmente se beber um copito) mas no dia seguinte já voltei ao enquadramento normal. Estas pessoas como eu são as que, apesar de bem intencionadas, cortam as asas às outras com "vê lá, tem cuidado" ou "isso é capaz de ser um grande risco, sossega mazé". Faço-o com quem gosto, para que não se magoem, para que nao corram riscos, para que não sejam mal interpretados, mas faço-o e não devo. 

Lembrei-me disto no sábado quando vi um espetáculo coreografado por uma das "minhas" pessoas: a Laura. Desde pequenita que ela quer ser "fora da caixa", tem alma de artista, pensa e sente diferente de nós, as pessoas cheias de regras. Ela queria fazer dança e eu "ai, que não vai ter emprego", ela não entrou no Conservatório e eu "tadinha da miúda, vai sofrer tanto", ela quis fazer Erasmus e eu "ai, que é tão longe". Felizmente, ela borrifou-se para isto tudo e foi e fez. É um exemplo de resiliência e de paixão pelo que faz. Porque a vida é mais do que este conjunto de regras e ainda bem que existem almas diferentes, que vão à frente e que nos mostram caminhos alternativos, ou pelo menos, os mesmos caminhos com cores diferentes.

Tu, Laurinha, és grande, és do tamanho dos teus sonhos, já dizia o poeta, e terás sempre o meu aplauso. De pé.

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