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Rir e Comer Bolachas

Dormir com o inimigo

Que é como quem diz, ir dormir a pensar em quem nos fez mal, nos magoou e que, regra geral, foi alguém a quem demos a nossa confiança. Dizem os entendidos que isto faz mal, que devemos perdoar, que não precisamos de esquecer mas que não podemos permitir lembrar aquele acontecimento que nos tortura porque é darmos poder ao inimigo, ou seja, damos permissão para que nos continue a magoar todos os dias.

Eu percebo o conceito, e concordo. Claro que sim, eu não quero nada continuar a lembrar-me do que me fizeram ou do que não fizeram e deveriam ter feito mas não consigo controlar isso. Posso empurrar aquele pensamento que vem à lembrança bem para o fundo mas, em coisas que não posso controlar, saltam à memória episódios que magoam, que mexem com a minha noção de justiça, que moldam a forma como vivo, quer eu queira, quer não. Porque falamos de emoções, de terreno em que não podemos mandar.

Eu gostava de perdoar o que tenho a perdoar mas ainda vou dormir com várias pessoas no pensamento, e não aposto porque só gosto de teimar, mas quase que apostava que duas ou três dessas pessoas não imaginam sequer o quanto me feriram, e ficaram muito surpreendidas quando deixaram de fazer parte da minha vida, o que mostra que o que fizeram não foi com intenção de magoar, mas magoou. Se merecem perdão? Quero acreditar que todos merecemos, eu também faço muita parvoíce, mas ainda dói e não há truques para lamber feridas, há apenas tempo, e eu acredito que, a seu tempo, também isto conseguirei perdoar. Até lá, não me vou martirizar porque tenho que ser boazinha para as pessoas, aprendi a dar na medida que recebo. Nem mais, nem menos. E tenho dormido bem.

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