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Rir e Comer Bolachas

Das decisões

Não sou boa a tomar decisões. Nunca fui e evito sempre que posso. Seja para decidir qual o próximo passo na minha carreira ou o que vou comer ao jantar, é sempre a mesma coisa. Ao ponto de, sempre que possível, recorrer ao random.org para tomar decisões por mim. É bonito pensar que é porque assim deixo tudo por conta do Universo, mas a verdade é que simplesmente porque eu não consigo decidir. Não quero ocupar a minha cabeça com coisas desnecessárias e poupo-a sempre que possível. Mas isso significa que quando tenho mesmo de tomar uma decisão estou ainda menos preparada para o fazer e não há listas de prós e contras ou respirar fundo e fechar os olhos que me valham. Até a Magic Eight Balls online recorro. E acontece sempre o mesmo: estes mecanismos fornecem uma resposta e eu questiono-a. Mas também fico sempre insatisfeita com a outra opção.

 

Partilhei isto com o meu psicólogo e disse-lhe que se estava tornar um problema mais recorrente e mais difícil de contornar e ele disse-me (por outras palavras, que ele é pessoa para ter amor à vida e saber que há coisas que não convém dizer-me) que eu era tão teimosa que insistia em escolher sempre entre A e B em vez de procurar C. Ou D. Ou E ou tantas quantas forem necessárias. E eu achava que não era assim mas apercebi-me que sou.

 

Estava há séculos a debater-me com o dilema de ir ou não a uma discoteca com os meus amigos. Eu odeio discotecas, odeio sair à noite, odeio multidões no geral. Digo que já não tenho idade para isso aos 28 anos embora também já o tenha dito aos 20. Mas é o aniversário da minha melhor amiga, o grupo é o meu grupo de amigos mais próximo e também não queria excluir-me dos festejos. E então a minha cabeça era todo um loop de "vou, não vou, vou, não vou" que é coisa para enlouquecer uma pessoa. Decidi ir, mas com o meu carrinho atrás para poder ter a liberdade de abandonar quando me sentir desconfortável.

 

Depois foi porque tinha decidido fazer uma tatuagem e já estava marcada mas estava muito preocupada com o dinheiro que ia gastar e se me ia trazer problemas por ficar visível e porque tinha de ouvir o meu pai ralhar apesar de ser uma mulher feita, etc. Foi preciso decidir cancelar a marcação e dormir sobre o assunto para acordar e perceber que não era isso que eu queria e depois ter de passar pela vergonha de fazer o número da maluca a contactar o tatuador a dizer que afinal sempre quero avançar.

 

A moral da história é que as decisões acabam por ser tomadas mas a ferros e (quase) sempre com base em tudo menos aquilo que eu quero, portanto volto sempre à velha de questão: onde é que está a linha entre egoísmo e auto-valorização? Está tão sumidinha que mal a vejo...

 

Enfim... Se houver por aí boas sugestões sobre como tomar decisões equilibradas sem ter de tomar a decisão errada primeiro, sou toda ouvidos.

 

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