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Rir e Comer Bolachas

Da meia idade

As crises de meia idade nem sempre dão com a vontade de comprar um descapotável, ou de começar a namorar com alguém que nasceu depois de nós tirarmos a carta. Ou de tatuar um diabinho nas costas que nunca se fez por falta de coragem. Às vezes, as crises de meia idade chegam de mansinho e fazem-nos perguntar o que raio andamos a fazer com a nossa vida. É aquele pensamento que chega devagarinho com o "e se...". A minha crise de meia idade chegou quando pensei que, estatisticamente, estou a meio da minha vida, e esta segunda metade talvez não seja tão boa como a primeira.

O facto de ter nascido numa família "desenrascada", onde nunca de passou fome mas não sobrava dinheiro, fez com que, desde sempre, se trabalhasse para comer. O trabalho era a fonte de subsistência e não uma possibilidade de se cumprir um sonho, de ter uma vida maravilhosa e cheia de glamour ou adrenalina. Aliás, nem me lembro de haver sonhos. Não que fossemos todos sofredores ou infelizes, muito longe disso. Éramos reais, tínhamos vidas reais, não fomos educados para sonhar, para uma vida cheia de possibilidades, para querer mais da vida. Era assim porque era assim. Por um lado, não tive que me preocupar muito em descobrir o que queria fazer da vida- não pensei nisso sequer. Fui vivendo à medida que a vida se foi desenrolando. Por outro lado, tenho medo de chegar ao fim da linha (se tiver tempo para isso) e arrepender-me por não ter vivido de forma diferente ou de ter sido uma pessoa diferente. Não tenho vontade de o fazer hoje, mas, e se tiver um dia quando já não for a tempo?

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