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Rir e Comer Bolachas

Baixar a crista

O parto pode ser uma analogia para a adolescência- quer tu queiras, quer não, quer estejas preparada, quer não, vai acontecer. Vais ter que te desenrascar, que te reinventar, vais ter que dar a volta, porque vai acontecer. À semelhança do parto, quando começam as dores também não dá para dizer "ah e tal, afinal, paramos aqui com isto porque eu pensei melhor e quero desistir".

De qualquer forma, quero acreditar que o amor infinito que temos pelas nossas crias basta. Que não resolve sozinho as adversidades mas faz com que, mesmo por caminho tortuosos, os encaminhe, os guie e os segure nos trambolhões que têm que dar. E que nós temos que ver, porque as bolhas protetoras e invisíveis onde gostávamos de os guardar não existem.

Isto da maternidade é, também, uma lição de humildade.

(À espera que eu mude)

Tenho 36 anos, tanta coisa já vivida, e fico parva como ainda me preocupo tanto com aquilo que pensam da minha pessoa... Ainda me justifico, ainda explico porque faço o que faço e como faço e ainda me pesa a consciência cada vez que digo não. Ainda preciso que me passem a mão pela cabeça e que me digam que sim, que fiz bem, que estou certa. Ainda me questiono se faço bem ou não se ouço opiniões contrárias à minha, mesmo depois de as ter defendido por ser aquilo em que acredito. Ainda preciso de colo, ainda me sinto sozinha, ainda tenho a auto-estima pelos tornozelos e ainda espero que me tratem como trato os outros. E revolta-me as entranhas que assim seja.

Da vida

É curiosa a vida. Ora estamos com os pés na lama, sem fôlego nem motivação, a maldizer a sorte que nos calhou, ora tudo se alinha e começa a fazer um pouco de sentido. De repente, no meio do caos percebe-se uma ordem, ou um fio condutor, ou uma ideia aproximada de razão. Como se tudo fosse um equilíbrio, como se não fosse possível estar tudo mal, ou estar tudo bem. Tal como parece existir sempre uma pedra no sapato, também aparecem uns raios de luz naquilo que parece a nossa noite mais escura.

Não sei se a vida de toda a gente é assim, tenho sempre a sensação de que a minha anda mais rápido, transforma-se mais depressa. Tinha uma amiga com quem falava regularmente (não havia uma semana em que não lhe ligasse) e ela repetia sempre "tens sempre tantas coisas para contar". Realmente, haviam sempre novidades. Nem sempre agradáveis, nem sempre para melhor, mas que haviam, haviam.

Às vezes, as mudanças são boas. Às vezes, tudo se alinha para nos confortar, para sermos mais felizes, mais tranquilos.

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Quão demente é tirar meio dia de férias para organizar a casa?

Vou tirar a tarde de hoje. Ontem à noite colapsei. Não sei se foi da dor na anca que tenho há dois dias, se foi cansaço, se foi de estar farta de aturar o pai do meu filho (que se lembrou agora que tem um ser para educar), se foi o cansaço de querer tudo resolvido de uma assentada, ao contrário de ir resolvendo, ou até se foi da ventania que ia trazer esta chuvinha... Não sei, só sei que olhei à minha volta e deu-me para chorar. Chorei, chorei, chorei. Porque lembrei-me que havia de organizar as roupas que tenho, que quero e que já não quero, de uma virada. Acho que foi uma espécie de metáfora para a minha cabeça. Depois acalmei-me, disse a mim mesma que ia tirar a tarde de hoje de férias e fui deitar-me. Hoje vou tirar TODA a roupa dos armários e voltar a arrumar apenas o que utilizo (e sem repetições), e espero que, de caminho, consiga arrumar a cabeça também.

E só assim percebo que não devo ser uma pessoa muito sã.

Gestão de conflitos

Sou do tipo de pessoa que se zanga, que esperneia, que fala, que grita, que se descompõe, que chora, que sente, e, por fim, que se acalma, quando já processou tudo, quando já desabafou e, quando é o caso quando já ouviu a outra parte. E achava que era toda a gente assim. Não que fosse o método correto mas que fosse o único método. Achei que era assim que as pessoas se entendiam. Hoje não sei. Só sei que eu sou assim, funciono assim, mas tento entender que existam outros métodos, igualmente legítimos. Tão legítimos quanto a indiferença que sinto, quando não esperneiam, quando não falam, quando não gritam, quando apenas calam e continuam.

Deve ser para isto que serve a noite

Às vezes, mas só às vezes, gostava de poder parar o mundo, parar a minha vida, meter tudo em modo pause só para eu poder parar um bocadinho e assimilar tudo. Com tempo. À minha velocidade. Em silêncio e sem ruído de fundo. Com toda a disponibilidade para arrumar os assuntos em caixas, separados, com devidas etiquetas e com plano de ação ou estratégia definidos. Às vezes, tudo parece a gota de água que vai fazer transbordar o copo e sinto-me ali, na vertigem, no fio da navalha, como se tudo dependesse de mim, da minha capacidade de resposta, da minha capacidade de resposta. Ser mãe é um pouco assim, eu acho. Ser engolida pelas responsabilidades, pelo medo de falhar e ter a sensação permanente de não saber o que se anda a fazer. E como não sei o que ando a fazer, não sei se estou certa e continuo ou se estou errada e mudo o rumo...

Mas é tudo a trick of the mind, nem estou no fio da navalha, nem tenho que decidir toda uma vida num só dia, o de hoje. O caminho faz-se caminhando e eu estou tão preocupada com a chegada que nem vejo a paisagem.

 

...

Os dias passam a correr, cheios de afazeres e nada digno de registo, todos diferentes e, no entanto, todos iguais. Fins de semana iguais aos anteriores - se faz sol, lava-se e estende-se roupa, sacodem-se tapetes, faz-se almoço e jantar, bebe-se um cafezinho mais demorado e dormita-se no sofá; se chove, lava-se e estende-se roupa, que não enxuga e só estorva, sacodem-se tapetes, faz-se almoço e jantar, bebe-se um cafezinho mais demorado e dormita-se no sofá. O dinheiro, ou falta dele, não permite grandes aventuras e o cansaço dos dias pesa-me, faz-me faltar a criatividade, e muitas vezes até a vontade, de planear coisas giras sem custos.

E assim vai a vida. Nem bem nem mal, como se estivesse em pausa mas sem parar. Quero vir aqui e escrever mas dos dedos não saem palavras com interesse, eu mesma sinto que não tenho nada para dizer. De tanto calar por não ter com quem dividir, acabei por desaprender de partilhar, acho que aquilo que tenho para dizer não tem interesse suficiente que justifique fazê-lo. E assim vão os meus dias. Vazios de palavras ditas ou escritas.

Tirania dos tempos modernos

Há dias, enquanto almoçava, toca o telemóvel. Tirei-o da mala, calculei quem fosse e não atendi. Estava a almoçar e só me dei ao trabalho de ver quem era porque podia ser o meu filho ou outro alguém importante, mas não era, era a Deco-Proteste. Já disse que não queria aproveitar promoção nenhuma, nem assinatura disto ou daquilo, já pedi para ligarem depois das 20h mas não adianta. De maneira que não atendi. A minha mana, que estava a almoçar comigo, estranhou e perguntou "Não atendes?", respondi que não, ficou a olhar para mim como se eu fosse um bicho esquisito...

Porque é que tenho obrigação de atender o telefone? Nem sempre quero, nem sempre tenho vontade de atender uma chamada. Estar contactável não quer dizer estar disponível. Embora esta chamada tenha sido um caso isolado, porque normalmente atendo por saber que o meu filho não está comigo e pode ser da escola, ou porque o meu pai está internado e pode ser da unidade de cuidados, ou casos semelhantes, é errado pensar que tenho obrigação de atender. E isto não é um pensamento assim tão estranho porque vejo várias pessoas revirarem os olhos quando o telefone toca. Ou até falarem com ele, tipo "Tu, outra vez???" ou "Opá, o que esta quer agora?".

Não atendo sempre mas retorno as chamadas quando estou, de facto, disponível. Pelo menos, para quem quero.

Velha do restelo

Já aqui escrevi que, nos últimos tempos, há sempre alguém (corajoso) que me diz que envelheci. Ou que estou amarga. Ou que não sou optimista. Nunca consigo reagir bem a esta ideia, de que estou a envelhecer - e este envelhecer nada tem a ver com rugas e/ou flacidez, é no sentido de ter pouca paciência, ser rabugenta. Primeiro porque não me vejo assim, depois porque chamo outra coisa aquilo que vêem como "azia" ou "acidez".

Nestes 35 anos (uso sempre a calculadora agora, desde que me enganei na minha idade) a vida encarregou-se de me aviar, bem aviadinha, de lições e ensinamentos vários, sendo que o mais importante foi a técnica de filtragem. É tudo filtrado, e por filtrado quero dizer vedado, seja à minha vida, seja à atenção que dou, ou até à tolerância. Há coisas que já não aceito. Ponto. Porque sei ver para além da situação, ou da pessoa, já nada é ato isolado e, como tal, julgo a situação num todo. Exemplo - uma opinião (estúpida e que não foi solicitada) de um miúdo de 10 anos eu aceito e sei gerir, de alguém com a minha idade não - tem idade suficiente para distinguir o que dizer e quando. Não tem? Depois de uma resposta à altura, talvez venha a ter. Não que tenha por missão educar alguém, não, não tenho é que comer e calar.

Outra da coisas que me faz não aceitar certas coisas é medir tudo por mim, e isto, sim, é errado. Profundamente errado. E do caraças para corrigir. As outras pessoas não são eu, não agem como eu, não pensam como eu, logo, não tenho que comparar o que eu faria, seria, diria. Eu sou eu, os outros têm toda a legitimidade para serem como são. A mim cabe-me aceitar ou não. (É simples aqui, na dia-a-dia é do caraças...) Resultado - As pessoas não correspondem às minhas expectativas e eu desiludo-me, acabando por erradicá-las da minha rotina, e assim, da minha vida. Resultado II - Estar casa vez mais sozinha.

"Eras mais alegre, mais optimista" e mais inocente também, depois veio a vida e ensinou-me a ver tudo de forma diferente. Se calhar tenho que aprender novamente a rir sem motivo, a levar a vida na descontra, a pensar menos, enfim, a ser jóve e airosa ... Sugestões, há?

P.S - Começo já por meter aqui uma coisa fófinha e otimista.

Parece que é boa ideia escrever tudo

...num caderninho para "despejar a cabeça" e libertar espaço emocional, de maneira que eu vou adaptar a ideia e despejo para aqui. E vai tudo tal qual está agora na minha mente, por isso, segurem-se.

 

- Era capaz de votar no António Costa. Funciono muito melhor se pensar em indivíduos do que em partidos, e ele parece-me tão sensato... Ainda bem que não preciso de pensar nisso agora.

 

- Podia era começar a chover. Não me apetece nada fazer caminhada hoje mas não tenho coragem de faltar. Por favor, CHOVE!

 

- A minha consciência manda-me retornar a chamada que não atendi no fim de semana mas não tenho nada para dizer, nem me apetece repetir a mesma ladaínha que vai ser a conversa. As consciências só atrapalham.

 

- Bendita seja quinta-feira. Acho que vou tirar o dia para não falar com ninguém e dormir, dormir, dormir. Ando cansada, não sei o motivo mas parece que estou cansada desde que acordo até adormecer. Venham as férias.

 

- Tenho fome. Fome de coisas que fazem mal à saúde e à carteira. Era menina para meter uma alheira no forno e devorá-la ao jantar. Mas não, vou comer sopa.

 

...

 

Não sinto que deixei aqui nada, escrevi isto mas vou levar tudo comigo porque ando às voltas com estas coisas no pensamento. Mas porque é que não chove???