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Rir e Comer Bolachas

Gratidão

Fala-se muito em agradecer, ser grato, estar grato. Quando estamos felizes ser grato é fácil. Todas as noites agradeço ter uma cama quentinha e roupa macia onde me deitar, abrigada do frio da rua, em sossego na minha casa e num país tranquilo. Será isso ser grato? Parece-me muito fácil. Fácil até de esquecer rapidamente.

Talvez o desafio seja agradecer também tudo aquilo que não gosto, que me faz ou fez sofrer porque é isso que me faz crescer, mudar o rumo, ajustar as velas. Talvez o desafio seja agradecer sempre, independentemente do julgamento que fazemos das coisas. 

Dei-me conta que algumas das melhores coisas que vivi e aprendi aconteceram apenas porque um dos piores episódios da minha vida também aconteceu, e embora reconheça esse facto, ainda me é muito difícil estar grata. Talvez seja isso a maturidade: aceitar tudo, sem julgamentos e com gratidão. Um caminho a caminhar, ainda.

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Da falta de brio

Logo no início da manhã de hoje tive que falar de forma mais áspera com alguém que trabalha em outra empresa mas que interfere diretamente com o meu trabalho. Não gosto de o fazer mas também não gosto de falta de brio no que se faz. Faz-se porque é assim, porque mandam, porque são as normas e pronto, mesmo que não esteja certo, não faz mal porque nada disto é nosso... Depois de uma troca acesa de argumentos a situação resolveu-se, o que prova que não era dificil, ninguém foi despedido, não houve nenhuma catástrofe, era só mesmo má vontade ou, pior ainda, falta de vontade de fazer melhor. É triste.

Já depois de me ter esquecido disto, vou ao supermercado e sou atendida por uma senhora de mal com a vida - mal falava, sem sorrir e a manusear as coisas como quem as quer atirar para bem longe, ou à cabeça de alguém. O meu instinto foi pensar que ganha mal, está ali contrariada, provavelmente, foi um mau dia. Coitada. Só que não. Eu não trato ninguém mal só porque o dia não está a correr ao meu gosto. Se for ao hospital também espero que o médico não se deixe influenciar pelos seus problemas, ou troque a minha ficha porque se apaixonou e está distraído. Espero que tenha brio, e se distancie da sua vida pessoal e vontade.

Falta brio, senhores. Falta gosto no que se faz. Falta pensar que se está a prestar um serviço a alguém. A trabalhar para os outros. E, não estando satisfeitos com a vida que levam, existe sempre escolha de uma nova.

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O melhor hábito que tenho

Rir é o meu remédio para tudo, uso e abuso dele, mesmo quando não me sinto tão risonha, do mesmo modo que, há uns anos, sempre que ficava muito ansiosa dormia. Rir é o que me mantém à tona quando perco o pé. Rir é o meu escape quando fico nervosa e não sei o que responder. É a saída airosa quando perco as palavras ou quero desviar o assunto. Rir é a melhor forma de me chegar ao coração, qual Jessica Rabbit, e possivelmente, aquilo que mais gosto numa pessoa. Inclusive em mim. Mas, há sempre um mas, o facto de ser sarcástica ou irónica mete-me sempre em confusões. Às vezes, o tom não é percebido. Em mensagens, passei a usar emojis, supostamente, para quebrar a seriedade e deixar perceber a piadola. Ao que parece, ainda não é suficiente: preciso de um dicionário de carinhas sorridentes. 

Posto isto, se tivesse 5€ de cada vez que me dizem que sou antipática ou muito séria, já tinha dinheiro para dar a volta ao mundo. 

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Pergunta para queijinho

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De cada vez que existe uma possibilidade de algo novo, diferente, que ainda não tenha feito, percorro mentalmente toda a gente que conheço ou já tenha ouvido falar à procura de quem já o tenha feito. Para saber se é possível, se é exequível, se já alguém tentou e conseguiu ou se o plano saiu furado e foi tudo uma grande parvoíce. Parece que só é válido se for alguém à frente, a indicar caminho, a mostrar como se consegue e que é possível. Não sendo assim, não arrisco. Tenho toda uma panóplia de teorias baseadas em experiências que nunca tive, nem nunca vivi, que só servem para atrasar a vida, quer a minha, quer a de quem as ouve.

Se alguém terá que fazer primeiro, porque não eu? Se ainda não foi feito, ou foi feito e deu errado, posso ser eu a fazer da forma que resulta. A existir exceção posso ser eu, certo? 

 

Há pessoas e pessoas (e depois há os artistas)

Existem dois tipos de pessoas: as que vivem que dentro das regras e as que conseguem saber se as regras se lhes aplicam. Eu faço parte das primeiras, as que são cheias de regras e regrinhas, de obrigaçõesinhas, de salamaleques, mas vivo com o sonho de ser uma rebelde. De vez em quando lá me passo da marmita e faço qualquer coisinha assim na loucura (especialmente se beber um copito) mas no dia seguinte já voltei ao enquadramento normal. Estas pessoas como eu são as que, apesar de bem intencionadas, cortam as asas às outras com "vê lá, tem cuidado" ou "isso é capaz de ser um grande risco, sossega mazé". Faço-o com quem gosto, para que não se magoem, para que nao corram riscos, para que não sejam mal interpretados, mas faço-o e não devo. 

Lembrei-me disto no sábado quando vi um espetáculo coreografado por uma das "minhas" pessoas: a Laura. Desde pequenita que ela quer ser "fora da caixa", tem alma de artista, pensa e sente diferente de nós, as pessoas cheias de regras. Ela queria fazer dança e eu "ai, que não vai ter emprego", ela não entrou no Conservatório e eu "tadinha da miúda, vai sofrer tanto", ela quis fazer Erasmus e eu "ai, que é tão longe". Felizmente, ela borrifou-se para isto tudo e foi e fez. É um exemplo de resiliência e de paixão pelo que faz. Porque a vida é mais do que este conjunto de regras e ainda bem que existem almas diferentes, que vão à frente e que nos mostram caminhos alternativos, ou pelo menos, os mesmos caminhos com cores diferentes.

Tu, Laurinha, és grande, és do tamanho dos teus sonhos, já dizia o poeta, e terás sempre o meu aplauso. De pé.

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Boas Energias (a rodos)

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Sou uma pessoa otimista por natureza. Claro que tenho dias em que vejo o copo meio vazio, totalmente vazio, ou partido, ou feio, enfim, vejo tudo da pior forma possível, sobretudo se estiver cansada. Por norma, isto dura pouco e prevalece o otimismo, em modo de bom português o "podia ser pior". Por este motivo, tenho alguma dificuldade em lidar com pessoas que insistem em focar no mau, e imaginar o pior. E, em correndo bem, estranham e sentem-se miseravelmente na mesma. 

Ora, a vida é generosa (e desconfio que sarcástica) e brinda-me com gente assim para eu aprender a lidar com isso. De perto. Bem perto. 

De maneiras que aqui ando eu, em equilíbrio entre ser uma espécie de pessoa empática, que se condói do sofrimento alheio, e uma versão cruzada de Mary Poppins e Alexandra Solnado, a apregoar como a vida é generosa. 

É tempo

Tenho saudades de escrever. De ter tempo para deixar as mãos voarem pelo teclado, soltas, sem pensar muito nas palavras, e deixar que os pensamentos se organizem sozinhos e formem um texto, que nunca leio. Não é uma catarse, é uma forma de organização, ou percepção, daquilo que penso e sinto. Às vezes, sinto que preciso. Há sempre demasiado barulho na minha cabeça. Passam-se demasiadas coisas, faço muitos filmes, repito ad eternum conversas de outras vidas, e nem dou conta. Tantas saudades e nunca escrevo. Há tantas coisas que gosto e deixei de fazer. Como um castigo que nem me pertencia. Uma penitência por erros alheios.

Muitas coisas ficaram em modo pause desde há uns tempos, e o blogue também ficou. É tempo de voltar. :)

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