Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Rir e Comer Bolachas

...

Vou resumir a conjuntura, ou o contexto em que se insere, para deixar isso de lado: a crise. É tramada com f, para algumas pessoas chega a ser desesperante, as notícias sucedem-se, a esperança encurta e o pânico instalou-se. Eu sei que são tempos difíceis, passemos ao seguinte.

 

Excluo as pessoas que estão a passar por dificuldades em ter o mais básico das necessidades humanas - seja comida, habitação, o que for, refiro apenas a pessoas que tiveram de se adequar a novos tempos, a novas realidades, e tiveram que ajustar também a forma de viver. Olho para as pessoas à minha volta, e não só, e não consigo perceber como não estão elas sob o efeito de uma droga qualquer que as tire da apatia e angústia em que vivem. Não estou a ser irónica, eu comparo-me com essas pessoas com vidas semelhantes à minha, e não percebo como é que eu estou "agarrada" a medicamentos e elas não... Porque precisam, oh se precisam!

No trânsito, no trabalho, no supermercado, na escola dos filhos, nas aulas de natação, ao encontrar o carteiro, seja onde e a que horas for... As pessoas estão insuportáveis. Revoltadas, tristes, amarguradas, mas passivas, revoltam-se apenas com quem encontram em situação ainda inferior à sua. Vale tudo, é o olho por olho, é o salve-se quem puder. De vez em quando encontram alguém com cancro e dizem "afinal, tenho muita sorte" mas dura apenas até encontrar alguém que possam criticar impunemente, alguém que possam espezinhar.

É tão triste ser adulto neste tempo que se vive e com esta sociedade.

 

 

 

 

 

Há algum tempo atrás a minha grande e querida amida disse-me " Pára de olhar para os outros e querer mudá-los, não tens esse direito. Olha para ti e muda-te a ti. Muda aquilo que podes mudar e pensa em que é que podes mudar a tua vida para seres mais feliz." É um espectáculo, não é? Ela acha que eu não ouço o que ela diz, que não ligo, que não interiorizo, mas estas palavras ficaram a ecoar, a ecoar, e de vez em quando tenho vontade de dizer a alguém como é que as coisas se fazem e lembro-me - não, não vou fazer nada disso. A minha postura é que tem que mudar.

Desde então tenho olhado mais para mim, e sou mais feliz.