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Rir e Comer Bolachas

Sanguessugas de bom-humor

Tenho orgulho em ser uma pessoa transparente, cujas emoções e/ou estão à vista e ao ouvido dos mais atentos embora isso me traga mais problemas que benefícios. Se a nível pessoal acredito que todos beneficiam dessa característica, a nível profissional não faz qualquer sentido: ninguém precisa de saber o que penso, sou paga para fazer o que me pedem e não me pedem opiniões acerca do que me mandam. Simples, não é? Para mim, não. Eu existo, logo penso, e logo mostro o que penso, quer seja através do meu tom de voz ou do olhar, mesmo que não o diga com as palavras.

"Você não me está a ouvir, ouça!" dizia-me o xôtor, e eu respirei fundo e ouvi. Ouvi pela 300ª vez, porque o xôtor adora ouvir-se e adora dramatizar coisas que, a mim e desconfio que ao mundo inteiro, parecem simples. E interrompi-o, sim, para lhe dizer que se está mal, corrige-se! Nada é inalterável, nada é definitivo, há-de ver alguma forma de ser feito. O meu tom de voz denunciou-me, porque falta-me paciência para queixas pouco produtivas... Tolero queixas se vir esforço na resolução, se me pedirem também ajudo se conseguir, agora queixar por queixar? Eh pá, pronto, está bem, também me pagam para ouvir, acho eu. Fora do trabalho, nem pensar!