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Rir e Comer Bolachas

Maravilhosa adolescência

Depois de levar um valente raspanete, o meu filho acha-se no direito de ficar sisudo e calado, qual dama ofendida, enquanto experimenta vários pares de calças numa loja. De vez em quando, abre a cortina e mostra como fica, e eu, faço o meu ar de quem não reparou qye ele está com mau-feitio, e vou comentando se gosto, se ficam bem e tal.

- Então gostas de te ver? 

- Sim.

- Essas não são iguais às tuas?

- Não. São parecidas.

- Mas gostas muito ou pouco? Preferes estas ou as anteriores? Ou gostas das duas? Ou não queres levar nenhumas? - já a ficar impaciente com os monossílabos.

- É igual.

- É igual, não. Temos que comprar dois pares, por isso, tens que escolher. 

- Essas e as anteriores.

Agarro nas calças e afasto-me para pagar enquanto ele se veste.

- Mãeee!...

- Sim?

...

- Traz essas... São as que tinha vestidas...

Pergunta para queijinho

Existem más relações entre pais e filhos?

A pergunta leva-me logo o pensamento para a adolescência, ou início da vida adulta, mas não é isso que gostava de saber. Pergunto-me se existem más relações, daquelas que vêm dos fígados, que é algo quase físico, quase palpável, que nem se explica muito bem mas sente-se, como se houvesse falta de empatia, falta de um elo, mas  que nada tem a ver com amar. Um amor difícil, portanto.

O início da maternidade, para mim, foi tudo menos natural. Aquele intinto maternal que, supostamente, nasce com a criança e de que toda a gente falava, não nasceu. Nos primeiros dias em casa, tinha medo de tudo, desde dar banho a não perceber os vários tipos de choro. Juro que, às vezes, olho para ele e fico surpreendida por termos sobrevivido. Desde bebé até agora, já tive várias crises de identidade como mãe: ou sinto-me negligente, ou culpada, ou rígida, ou permissiva, ou nada disto e tudo ao mesmo tempo, de tal forma que, quando me chegam as grandes crises de culpa (basicamente, sinto-me culpada de tudo), chego a contar quantas vezes lhe dou um abraço ou um beijinho, ou simplesmente digo "gosto de ti". Nunca senti o meu filho particularmente ligado a mim (em detrimento do pai, por exemplo), nunca senti aquelas borboletas ao amamentar, e ele, por sua vez, nunca esperneou por sentir a minha falta no infantário, ou na escola, e aos três anos de idade só queria ficar com a avó - não havia quem o tirasse de lá antes de domingo à noite. Também nunca brinquei com ele, optava por jogos ou desenhos, ou qualquer outra coisa, porque não sei brincar. Assumi que era uma mãe mediana, nem má, nem boa, o suficiente para o rapaz sobreviver. Isso custa-me, faz-me sentir culpada. Gostava que ele tivesse a melhor mãe do mundo, que fôssemos cúmplices, que me considerasse amiga, mas eu não sei ser isso, só sei tentar ser o melhor que sou - e isso, infelizmente, inclui errar muitas vezes, e tentar outra coisa outras tantas. Ultimamente, já sinto que temos uma relação diferente porque ele está crescido, já partilhamos gostos, ou discutimos opiniões, acaba por haver sempre assunto, partilha, o que acaba por gerar cumplicidade. Isto, claro, quando as hormonas não o fazem andar mono, calado e zangado com o mundo em geral. 

Resumindo e baralhando, é ele que me tem ensinado a ser mãe dele, e não me sinto uma aluna extraordinária, embora me esforce. Mas isso não me impede de o amar incondicionalmente, tal como ele a mim.

Mas a pergunta mantém-se... Existem ou não más relações, independentemente das circunstâncias?

Alguém me explica o que é um beijinho grande?

É beijinho ou é grande? Se é grande, não pode ser beijinho. Como é que distingo um beijinho e um beijinho um bocadinho maior mas que, mesmo assim, não chega a beijo?

Já agora, quando é que é aceitável despedirmo-nos com beijinho, (telefonicamente falando) no campo profissional? E se é aceitável, funciona para ambos os sexos? E um aperto de mão a uma mulher, é aceitável? Já me aconteceu estenderem-me a mão para apertar e achei constrangedor.

Nunca percebi se sou profissional ou  um cubo de gelo.

Desejo para hoje

Conseguir manter-me acordada no meu posto de trabalho. Tanto, mas tanto, sono.

Segue música gira para animar a coisa. Tão gira que até consigo tolerar os DAMA (e não é preconceito, é mesmo achar que eles cantam tão bem quanto eu)

 

Esta coisa fabulosa que é o tempo

Há dias comentava com a minha irmã que isto da passagem do tempo é bastante revelador do caráter das pessoas e até de certas situações, ou seja, habituadas a ver as coisas de uma perspetiva, perdemos a noção de que existem outras, e até podem ser mais verdadeiras do que a nossa. Estamos habituadas a vermos pessoas revelarem-se, geralmente para pior, e esquecemo-nos que também funciona ao contrário - às vezes, revelamo-nos, no caso específico, para pior.

Às vezes, o tempo é também uma lição de humildade, porque não sabemos tudo, e ainda bem. Aprendi com o tempo que a humildade é das coisas mais maravilhosas que as pessoas têm - a capacidade de reconhecer que não somos perfeitos, que temos um lado negro, que não somos melhores que ninguém, é fabulosa e melhora, muito, a capacidade de nos relacionarmos.

Os saltos altos e eu

Alguém disse que o tamanho dos saltos altos que usava eram proporcionais à sua auto-estima. Concordo. Talvez o facto de ter 1.50m também ajude a gostar.

No final deste verão decidi oferecer-me um par de sapatos, de boa qualidade (porque estrago-os como ninguém), em pele, simples, pretos, 11 cms de salto e chiques a valer.  Quando chegaram (comprei online) notei que estavam um bocadinho grandes mas não os devolvi, ah e tal mete-se uma palmilha e a coisa resolve-se. Errado! Não estão um bocadinho grandes, parecem uns barquinhos! Já meti palmilha, já meti bocados de algodão, já andei a escarafunchar na net mezinhas milagrosas mas não me vou safar desta - os desgraçados estão grandes e, com tanto algodão, doem-me os dedinhos. Tanto. 

 

 

Não aconselhado a gente lamechas

Regresso da hora de almoço, mais cedo do que habitual, e passeio pelo youtube para passar tempo. Tropeço nisto:

 

 

Não devia ter visto... Fiquei lavada em lágrimas, com o rímel a escorrer e com olhos inchados!

Falemos das avós

Durante o ano letivo, o Dinis lancha todos os dias, e almoça dois, na casa da avó paterna. Findo o ano letivo, começa a frequentar mais a casa da avó materna. Comentários de ambas:

- Estás tão magrinho! Agora, nestas férias, vais ver se não engordas aqui em casa!

- Ai, filho, agora que a escola começou, vais comer como deve ser e engordar!

 

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