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Rir e Comer Bolachas

Baixar a crista

No trabalho não há modéstia que me valha, sou boa no que faço e não tenho problema nenhum em dizê-lo. Sou exigente comigo e não sei trabalhar mal ou devagar, e muitas vezes pago o preço disso mesmo, quando chego a casa sem vontade para nada e sem poder com uma gata pelo rabo. Talvez seja por isso que não tolero muito bem os erros dos outros. Quero dizer, também não ando por aí aos berros e a castigar as pessoas quando erram mas faz-me confusão meterem os pés pelas mãos, ou seja, tenho dificuldade em perceber porque o fazem. Até que... Ups. Meti a pata na poça. E baixo a crista e lembro-me que somos apenas humanos. Hoje o dia está a ser particularmente farto em aselhices. E todas minhas. Argh.

Gestão de conflitos

Sou do tipo de pessoa que se zanga, que esperneia, que fala, que grita, que se descompõe, que chora, que sente, e, por fim, que se acalma, quando já processou tudo, quando já desabafou e, quando é o caso quando já ouviu a outra parte. E achava que era toda a gente assim. Não que fosse o método correto mas que fosse o único método. Achei que era assim que as pessoas se entendiam. Hoje não sei. Só sei que eu sou assim, funciono assim, mas tento entender que existam outros métodos, igualmente legítimos. Tão legítimos quanto a indiferença que sinto, quando não esperneiam, quando não falam, quando não gritam, quando apenas calam e continuam.

Das surpresas boas

Esta semana tem sido puxada, quer a nível profissional, quer pessoal. Tenho saído do trabalho de rastos, a sentir-me cansada e a precisar de limpar a cabeça e, surpresa das surpresas, apetece-me andar na rua e caminhar. Na terça-feira fiz um percurso novo, de terra batida e corri uns 3 minutos, quando o percurso era a descer... Quando acabei a caminhada, até tinha a testa quente mas sentia-me bem, desanuviada. Meia hora depois ainda transpirava. Na quarta-feira de madrugada acordei com dores nas costas, fui trabalhar de sapatos rasos e doía-me tudo, até os braços e só andei com as pernas... Mesmo assim, ontem apetecia-me andar. Desanuviar. Respirar ar da rua e ver sol, e lá fui. Corri 1,5kms! A descer e a uma velocidade que quase não se pode chamar correr, era mais andar aos saltinhos, mas nunca tinha conseguido. Fiquei com a cara a arder de calor, parecia que ia explodir e fiz mais 2 kms a subir, por terra batida. Bolas! Estou orgulhosa. Continuo gorda, sim, mas estou mesmo orgulhosa.

Quando o meu adolescente chegou do treino contei-lhe o meu feito, a minha conquista, enquanto justificava porque me encolhia e fazia um esgar esquisito a sentar ou a levantar. A reação dele? "Ahahahahahahahah, és tão fraquinha, mãe!" A delicadeza de um adolescente é coisa para me surpreender sempre. Uma pessoa a sentir-se invencível e leva uma daquelas pela proa.

Que fique registado

Que sou humana, logo, imperfeita.
Que os planos que fiz para a minha vida nem sempre deram certo, e os que deram certo nem sempre foram os melhores planos.
Que nem sempre fiz as melhores escolhas mas tenho discernimento para sabê-lo, e humildade para reconhecê-lo.
Que há quinze anos atrás era mais otimista mas muito mais burra.
Que os desgostos que tive marcaram-me mas tornaram-me mais sábia, mais humana e mais bonita.

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It's all about the money, money, money

Tenho um problema muito grande com o dinheiro, e ele comigo. Há meses em que nos damos lindamente, somos amigos e andamos juntos para todo o lado (talvez um mês por ano ou menos), e há os outros meses em que temos uma relação de amor-ódio, em que se me revoltam as entranhas por ter de lhe prestar vassalagem.

Aborrece-me que tudo gire à volta do dinheiro mas o facto é que gira mesmo. Até a minha boa disposição. E a (pouca) sanidade mental que mantenho... Ando muito bem disposta nos primeiros dias do mês mas, assim que as contas começam a chegar, lá se vão as boas intenções e resoluções de ser uma mulher de bem com a vida. É o ordenado a descer e a neura a subir.

Não tenho só um problema com o meu dinheiro (ou com a falta dele), tenho problemas com o dinheiro dos outros, por exemplo: quando me pagam alguma coisa fico sem jeito, não apenas na altura mas fico sempre com a sensação de que tenho que retribuir e que estou em falta até o fazer. Penso que tal pessoa tem mais dificuldades do que eu e que não é justo. Ou outra justificação qualquer até chegar à mesma conclusão - tenho que pagar igual, mesmo que seja um café. Podia sempre optar pelo clássico cada-um-paga-o-seu mas cheira-me sempre a sovinice, a mesquinhez. Também há a troca de géneros: uma colega de trabalho tem uma horta e alguns animais e eu sou uma glutona, logo, ela traz-me tudo e mais alguma coisa desde limões a frangos e eu nunca tenho nada para retribuir... Nem salsa consigo deixar crescer! Estou sempre em dívida e é horrível.

Não sei abordar estas coisas de forma natural, despreocupada, assertiva, de forma não-emocional. É só comigo que isto acontece? Se calhar aos 36 anos já devia ter isto resolvido...

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De Bela Adormecida a mulher das cavernas

 Tenho o sono pesado e é um inferno para acordar. Consigo desligar o despertador e voltar para a cama sem sequer acordar. Já cheguei a manter uma conversa e só depois de dizer uma parvoíce qualquer é que o meu gajo percebeu que eu estava a dormir ainda. Adiante.

Precisava de qualquer coisa que me despertasse, que me fizesse desligar o piloto automático e ficasse lúcida. Aproveitei ter um smartphone, fiz o download de um aplicação e tem resultado (resulta no sentido em que acordo mas não sei se é coisa para durar)

A tal aplicação toca à hora desejada e para se calar, seja de modo definitivo seja em modo snooze, obriga-me a responder a operações matemáticas. Eu O-D-E-I-O matemática. Mais ainda que passar a ferro, só para verem quanto é. No início, armada em boa e com medo de dar respostas sem acordar, defini a dificuldade para o máximo. Número de perguntas - 3. Ia tendo uma sincope. Já acordada não acertava com a coisa à primeira (nem à terceira, quanto mais...) e queria despachar aquilo porque já estava farta (e a sentir-me idiota) e o raio do telefone só a fazer perguntas difíceis. Mudei para nível fácil mas aumentei a quantidade de perguntas - se quero adiar a hora de tirar o rabo da cama, tenho 5 (cinco) perguntinhas para responder. Assim parece fácil, mas é uma coisa que me tira do sério, e da cama, só pelos nervos que provoca. Contas de subtrair, então, é para esquecer... Dou comigo a falar sozinha para o telemóvel "31 -17 não são 18?? Então?". Há, também, a bonita possibilidade de trocar a pergunta, coisa que faço amiúde e várias vezes seguidas. 25 - 16? Sei lá, outra. 37 - 23? Oh porra para isto. 3x7? 40. Raisparta ao telefone e às ideias que tenho, dasse!

Lá acordar, acordo, agora bem disposta não prometo!