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Rir e Comer Bolachas

Não sei se é a teoria d'O Segredo

Mas há pessoas que quando estão com a neura (e não sou eu) desenvolvem uma aptidão qualquer que lhes permite escarafunchar em tudo quanto é problema, nhonhices. Perguntam, perguntam, perguntam, até achar qualquer coisa que as faça sentir pior ainda, e estragar ainda mais o dia. Chegam a descobrir problemas novos e/ou lembrar-se de coisas que aconteceram quando ainda eu gatinhava.

A sério. Dá-me vontade de dizer que volto cá amanhã, quando as energias, ou as frequências, ou o raio, estiverem apontadas para outro lado.

Pêlo na venta

Há uns meses que o meu adolescente anda a pedir para "fazer" o bigode e eu, como boa mãe atrofiada que sou, disse-lhe que se deixasse estar quieto, que era mais do que normal começar a ter penugens várias e blá, blá, blá.  O gajo cresceu rapidamente e parece que os colegas de turma nem por isso, pelo menos no que toca a pêlos, e gozavam com ele. Foi insistindo, que gozavam com ele, que ficava feio, que faziam comentários. E eu, a achar que estava a passar uma mensagem, continuava a negar. Que ele tinha que aprender a ignorar comentários, que não ligasse, que era normal e os colegas iam ficar iguais. Não pegou.
Ontem, após meses de sofrimento do meu pequeno homem, comprei creme depilatório e resolvi o problema. Depois fiquei a pensar naquilo - será creme depilatório coisa de gaja? Deveria ter comprado lâminas? Nestas alturas ter o pai a tomar conta da ocorrência era mais fácil, mas enfim, faz-se o que se pode.
O certo é que foi para a escola muito mais contente. Até parecia mais alto.

Um dia

- Um dia destes compro uns sapatos vermelhos. A minha sobrinha mais velha sempre disse que fazia toda a diferença na auto-estima de uma mulher, quando usados sapientemente.

- Um dia destes saio de casa maquilhada, cheirosa, bem disposta e a horas. E vou poder comprovar se influencia a forma como sou tratada, e como me sinto.

- Um dia vou ler um livro à noite, não estando de férias, sem ter que repetir alguma frase por não me lembrar do que li, ou de não ter interpretado à primeira, tal o estado de cansaço e sono. Mesmo sem ter feito nada imponente que justifique, por si só, tamanho cansaço.

- Um dia vou chegar a casa e fazer tudo o que planeei no percurso trabalho-casa.

- Um dia vou conseguir estar 24 horas sem me aborrecer por ver tanta gente oca e louca.

 

Quando será o dia?

 

Se um chá curar isto até cultivo a planta

Há uns anos experimentei a fazer acupunctura numa altura em que me sentia mal, ansiosa, com hipertensão, e mais umas panóplia de sintomas, sem que algum médico conseguisse fazer o diagnóstico de depressão, após vários exames de diagnóstico inconclusivos. Adiante. Experimentei acupunctura e gostei, saía de lá mais calma, mais tranquila, o que era difícil na altura. Mas o desgraçado que metia as agulhas (técnico? mestre? doutor?) também as via saltar quando as colocava na minha cabeça... E dizia que nunca tinha visto nada assim... Supostamente era a minha ansiedade que fazia aquilo.

Entretanto, o senhor deixou de praticar, e eu deixei de fazer, mas lembro-me dele muitas vezes - é que me disse que eu tenho "maus fígados" (um cavalheiro, portanto). Que tinha maus fígados e era por isso que tinha mau feitio. Que um chá de hortelã-pimenta ajudava a aquecer a zona difícil e devia beber. Todos os dias.

Tenho aqui uma chávena a fumegar.

Há pessoas que deviam passar em algum tipo de inspeção

Por exemplo, as madrastas e padrastos. Porque há pessoas dignas do estigma que as carrega (as palavras, não as pessoas). De maneira que eu acho que devia haver uma instituição que medisse o grau de competência para a tarefa, que se supõe fácil mas é árdua. Árdua porque herdam-se deveres mas não se herda o amor incondicional que os pais sentem (que é basicamente a razão que mantém as criancinhas vivas pela adolescência fora) e é aqui que está o problema. Não se pode exigir que o apêndice que casou com o pai ou com a mãe adore as criancinhas (e que lhes desculpe as parvoíces) mas deve exigir-se tolerância e poder de encaixe.
Uma instituição, isenta, devia proceder à devida inspeção. Toda a gente sabe que uma pessoa apaixonada não vê claramente, isto resolvia o problema. Se mais tarde (depois de passar a fase do fingimento dos primeiros meses) houvesse conflitos, chamávamos a tal instituição para os mediar - isenção, é o que se pretende.Ia ser uma mina esta minha ideia.

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Tinha a alma cheia de mofo

Normalmente quando vejo uns dias de sol, temperatura mais quente e cheiro a primavera, dá-me logo vontade de abrir janelas e limpar humidades, lavar e estender roupa, enfim, deixar a casa a brilhar mas este fim de semana que passou, não. Só pensava em estar fora de casa, ver gente diferente, passear. E fui. Antes comprei bilhetes para ver os Commedia à La Carte e a seguir passei o sábado fora. Nem o pequeno almoço tomei em casa, foi gastar dinheiro até cansar mas nem quero saber! Quando regressámos já passava da meia-noite e soube-me pela vida, até me sentia outra, de alma lavada e mais preparada para uma semana de trabalho.
Limpeza da casa? Roupa para lavar? "Viste-li-a?"

Hoje é dia de festa

Há 13 anos atrás entrei na maior aventura da minha vida. Naquela que faz tudo valer a pena e, ao mesmo tempo, deixa-me os cabelos brancos de preocupação.
É curioso, se às vezes nem me lembro de como era a vida sem o meu filho (porque parece que o tenho desde sempre), outras vezes tenho a sensação de que foi ontem, e que ainda não me habituei a isto de ser responsável por uma pessoa que não eu.

Há 13 anos que não faço a menor ideia do que ando a fazer, se está certo ou errado, se tomo as melhores decisões ou as mais estapafúrdias, mas com uma enorme esperança de estar a construir uma pessoa feliz, saudável e de bom carácter.