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Rir e Comer Bolachas

Sou uma incompreendida!

Há coisas que digo tantas vezes que quase acredito ser do conhecimento comum quando, na verdade, são apenas private jokes. Eu até percebo quando as pessoas não percebem a piada mas escusavam de fazer aqueles ares de grandes importâncias, e risinhos contidos, ao mesmo tempo que pensam que sou uma ignorante. Sim, até posso ser ignorante mas há coisas que digo por piada, uma delas é "heróia", passo a vida a dizer "és a minha heróia", mas eu sei a forma correta, ok? Também digo "bates forte cá dentro" e já sei que continuarei a dizer e daqui a uns anos já ninguém se lembra da Fanny e do Mota.

Isto para dizer que a minha pronúncia já viu dias melhores, que já, mas quando digo "Of course not, don't be ridiculous" é por causa destes senhores, está bem?

Sou só eu a lembrar-me destas coisas?

O rapaz portou-se bem

Depois de muita hesitação, lá o deixei em casa sozinho e correu tudo bem. Pelos vistos, durante estas férias vai acontecer algumas (muitas) vezes, vai daí, resolvi inventar-lhe umas tarefas para fazer. E por tarefas, entendam-se tarefas domésticas (adequadas à idade, não o vou meter a cozinhar) e não mais lazer, que isso já tem de sobra - hajam horas no dia que ele inventa o que fazer.

Posto isto, vou dar-lhe um armário para arrumar. Pode arrumar da forma que quiser, desde que cumpra uns requisitos que deixarei escrito no quadro de avisos (sim, que aquela cabeça consegue até procurar coisas com as mesmas na mão). Espero com isto que ele se mantenha ocupado durante umas horas e que aquela confusão de papeis de recomponha.

Mais uma contribuição para o meu papel de megera.

Sozinho em casa

Deixei o meu filho sozinho em casa e vim trabalhar. Calma, não chamem já assistentes sociais porque eu vou contextualizar a coisa, sim? Ele tem 11 anos e é uma criança inteligente; a minha casa está a poucos kms do trabalho; vou almoçar com ele; tem telefone e pode contactar-me, ou a outra pessoa, sempre que quiser.

 

O meu lado coruja teve vontade de o trazer comigo (já não seria a primeira vez) mas o meu lado sensato falou mais alto, aliás, argumentou mais alto, que ontem foi uma noite de debate entre mim e mim.

 

Eu sou uma mãe atrofiada. Sou mesmo, desde que ele nasceu. Sempre achei que aquela facilidade extrema que as mães adquirem no nascimento não me tinha calhado - nada veio com naturalidade, tenho dúvidas desde sempre e nunca tenho a certeza absoluta de estar a fazer bem, porque esta coisa de ser mãe ou pai é muita responsabilidade. E o pior é que, se houver consequências nefastas, quem as sente não somos nós, são os filhos! Não há lugar a rascunhos, estamos a desenhar o definitivo, a vincar bem o lápis no papel e não há borracha que nos valha. Ou então não é assim e eu não percebi ainda.

 

Quando ele era bebé (de berço) eu morava no mesmo prédio da minha cunhada e, muitas vezes, ela ia despejar o lixo e passava na minha casa para dois dedos de conversa. Aquilo deixava-me sem ar porque sabia que ela tinha o filho em casa, a dormir, e podia acordar. Ela, que nunca foi atrofiada e está a ter um ótimo desempenho como mãe, estava sempre tranquila e deixava-se ficar. Numa aconteceu nenhuma tragédia, os meus sobrinhos são saudáveis e crianças impecáveis. E o meu lixo era despejado de manhã, ou quando o pai dele chegava. Sabem porquê? Não era o facto de ele acordar e choramingar que me preocupava, era o sair de casa. Deixá-lo sozinho. Podia ser raptada e ele ficaria sozinho. Podia ter um enfarte  e ela ficaria sozinho (nunca me ocorreu ter um enfarte em casa..). Este exemplo (ah! sim, há vários) mostra como é ridículo (e perigoso para a confiança que lhe quero incutir) esta linha de pensamento. Eu ajo como se houvessem raptores, pedófilos, ladrões, assassinos, à porta da minha casa. Todos juntos e à espera que eu saia.

 

Não quero mais. Prefiro ensiná-lo como se deve defender de possíveis situações de perigo mas gostava que ele fosse uma criança confiante e segura, e não vai sê-lo se eu continuar a estar dentro da "bolha" que construí para ele. Esta noite dei-me conta que o meu filho nunca descascou uma maçã! Porque eu faço-lhe isso para ele não mexer em facas! Não pode ser. Estas férias vão ser de aprendizagem, minha e dele, e hoje foi o pontapé de saída.

 

Nota: São 10h46 e só mandei uma sms até agora (saí às 8h15).

Uma questãozinha

Voltei de férias com vontade de fazer uma coisa nova mas tenho umas questões. Mania de complicar, eu sei. Ando com vontade de fazer yôga ou meditação, ou ambas, eu nem sequer sei se é possível e se podem co-existir. O problema é que não gosto de fundamentalismos, ou seja, gostava de praticar qualquer coisa do género mas sem ficar xoné das ideias, dedicar-me ao vegetarianismo, tornar-me monge e vender o meu ferrari (era bom, era). Atenção! Não tenho nada contra quem o faz, acho até de louvar acreditar numa causa e viver por ela, eu é que não sou assim, pronto. Digamos que gosto das coisas a um nível mais superficial.

 

E então que precisava de um conselho de alguém que percebesse alguma coisinha disso. Está aí alguém?

 

Gostei desta frase!

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