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Rir e Comer Bolachas

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Disse que voltaria a escrever aqui no blog mas tem sido difícil. Nada do que tenho para dizer é o que quero ver escrito. Não é que seja mau, que não é, mas aborrece-me ver nas palavras aquilo que sinto, é como se se tornasse realidade.

 

Mas vamos ao início.

Há alturas em que ando em piloto automático: levanto-me, visto-me, trato do que tenho a tratar, trabalho, sorrio, cumpro, volto a casa, faço jantar, faço almoço, arrumo a cozinha e vegeto no sofá até cair de sono. Faz-me falta a companhia, mas se a tivesse é provável que nada dissesse, e que nada mudasse. A ausência é o meu bode expiatório. A solidão habituou-me a calar o que sinto, não a mim mas aos outros. Não a solidão de estar sozinha mas a solidão de saber que não sabem o que sinto. Como se tivesse que provar que eu continuo a ser eu, quando não sou. O eu que me conheceram não é o que vive em mim. Sou outra pessoa. Nem melhor, nem pior. Diferente. Não preciso que me enumerem os motivos para ser feliz, eu sei-os bem. E sou feliz. Ser feliz não me impede que me sinta assim às vezes, aliás, saber que tenho motivos para ser feliz e sentir-me miseravelmente ainda piora mais o meu estado, o meu humor.

 

Parece que a tristeza não tem lugar nesta vida que vivemos. Dizem-me "Anima-te" ou "Não fiques assim", como se existisse uma obrigação da felicidade permanente. Ou do positivismo. Leio em tudo quanto é artigo de opinião "livre-se das pessoas negativas"... Que raio... Vamos exterminá-las? Ou serão votadas ao silêncio? Cansam-me estes mantras ensaiados, ocos. É mais legítima a minha tristeza, que não é bem tristeza, mas um vazio permanente. Aquele vazio, um espaço enorme preenchido de nada, que a depressão me deixou, não é bom, nem é mau, é nada.

 

Sei que uma noite de sono, ou várias, vão adormecer este estado e irei acordar fresca e fofa, viva e a gostar. Mas agora estou assim. Para quem me vê, e se cruza comigo, estou "normal" mas eu sei, estou em piloto automático. Tornei-me uma mestre na arte de fingir que me sinto bem.

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