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Rir e Comer Bolachas

Sozinho em casa

Deixei o meu filho sozinho em casa e vim trabalhar. Calma, não chamem já assistentes sociais porque eu vou contextualizar a coisa, sim? Ele tem 11 anos e é uma criança inteligente; a minha casa está a poucos kms do trabalho; vou almoçar com ele; tem telefone e pode contactar-me, ou a outra pessoa, sempre que quiser.

 

O meu lado coruja teve vontade de o trazer comigo (já não seria a primeira vez) mas o meu lado sensato falou mais alto, aliás, argumentou mais alto, que ontem foi uma noite de debate entre mim e mim.

 

Eu sou uma mãe atrofiada. Sou mesmo, desde que ele nasceu. Sempre achei que aquela facilidade extrema que as mães adquirem no nascimento não me tinha calhado - nada veio com naturalidade, tenho dúvidas desde sempre e nunca tenho a certeza absoluta de estar a fazer bem, porque esta coisa de ser mãe ou pai é muita responsabilidade. E o pior é que, se houver consequências nefastas, quem as sente não somos nós, são os filhos! Não há lugar a rascunhos, estamos a desenhar o definitivo, a vincar bem o lápis no papel e não há borracha que nos valha. Ou então não é assim e eu não percebi ainda.

 

Quando ele era bebé (de berço) eu morava no mesmo prédio da minha cunhada e, muitas vezes, ela ia despejar o lixo e passava na minha casa para dois dedos de conversa. Aquilo deixava-me sem ar porque sabia que ela tinha o filho em casa, a dormir, e podia acordar. Ela, que nunca foi atrofiada e está a ter um ótimo desempenho como mãe, estava sempre tranquila e deixava-se ficar. Numa aconteceu nenhuma tragédia, os meus sobrinhos são saudáveis e crianças impecáveis. E o meu lixo era despejado de manhã, ou quando o pai dele chegava. Sabem porquê? Não era o facto de ele acordar e choramingar que me preocupava, era o sair de casa. Deixá-lo sozinho. Podia ser raptada e ele ficaria sozinho. Podia ter um enfarte  e ela ficaria sozinho (nunca me ocorreu ter um enfarte em casa..). Este exemplo (ah! sim, há vários) mostra como é ridículo (e perigoso para a confiança que lhe quero incutir) esta linha de pensamento. Eu ajo como se houvessem raptores, pedófilos, ladrões, assassinos, à porta da minha casa. Todos juntos e à espera que eu saia.

 

Não quero mais. Prefiro ensiná-lo como se deve defender de possíveis situações de perigo mas gostava que ele fosse uma criança confiante e segura, e não vai sê-lo se eu continuar a estar dentro da "bolha" que construí para ele. Esta noite dei-me conta que o meu filho nunca descascou uma maçã! Porque eu faço-lhe isso para ele não mexer em facas! Não pode ser. Estas férias vão ser de aprendizagem, minha e dele, e hoje foi o pontapé de saída.

 

Nota: São 10h46 e só mandei uma sms até agora (saí às 8h15).

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