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Rir e Comer Bolachas

Eu sou uma pessoa espectacular

Sou inteligente, tenho um excelente sentido de humor, sou culta, descontraída, compreensiva, raramente sou dura com alguém (a não ser comigo mesma), sou leal, fiel, honesta, justa. Sou rigorosa, exigente e perfeccionista, ao mesmo tempo que conheço os meus limites e tenho sensibilidade e bom senso suficiente para reconhecer quando devo deixar certos papéis para quem os desempenhará melhor que eu. Sou generosa, bondosa, ocasionalmente altruísta, tenho um bom coração onde cabe muita gente e sou genuinamente boa pessoa. Mas também sou gorda. E é uma merda que seja só isso que as pessoas vêem.

 

 

 

Família é:

 

 

Hoje relembrei a importância de termos sempre por perto aqueles nos amam. Mesmo quando, e principalmente quando, mais os queremos afastar. Porque estamos tristes, porque não sabemos o que fazer, porque achamos que sabemos, porque nos queremos sentir capazes ou independentes, ou porque já não sabemos nada, inclusivamente se os queremos ouvir.

 

Hoje o desespero de estar na reta final do 1º semestre do mestrado foi tanto que esqueci por completo porque é que o decidi fazer sequer. Disse que queria desistir e que nem sequer havia propósito para continuar. Disparatei com "eu nem sequer quero dar aulas!!". Tem um fundo de verdade mas está longe de a ser. Mas talvez isto seja tema para outras núpcias - para umas em que eu não tenha 5 trabalhos finais de cadeira para fazer em 8 dias.

 

E foi quando o meu namorado disse no tom mais doce que lhe conheço e, provavelmente, que conheço de qualquer ser humano "é para criarmos a nossa escola, lembras-te?". O desespero era tanto que eu, na minha imaturidade e birra de criança farta de jogar a este jogo, respondi com um grunhido e algo muito muito bruto como "então faz tu o mestrado!".

 

(não, não foi bonito...) (mas não se preocupem, porque quem me conhece sabe que isto até uma resposta normal para um estado de stress)

 

Apesar de não ter respondido nada bem naquele momento e de me sentir absolutamente perdida e desesperada, foi tão importante que tivesse acontecido. Tinha a minha tia, Trocatintas, incrédula a olhar para mim por vezes dizendo e por vezes pensando "isso não é nada teu, Cisne!!" - o que me lembrava que de facto aquela não era eu; tinha o meu namorado com um olhar compreensivo de quem diz "eu sei que é difícil mas vou deixar-te estar, pois não tenho a menor dúvida de que conseguirás fazer tudo aquilo de que tens medo"; e tinha a minha mãe, Bolacha Maria (que também está no meio dos tubarões no ensino superior), a olhar para mim a tentar perceber o que dizer pois sabia exactamente o que eu estava a sentir - o que se pode querer mais que alguém nos compreender totalmente?

 

E portanto hoje vou para a cama com mais um trabalho feito (graças a eles três e à força que tenho a certeza que não sabem que me deram) e com a certeza de que posso ter os esgotamentos nervosos que quiser, mas que esta família aguenta tudo e principalmente, aguenta uns aos outros.

 

Espero um dia poder fazer uma peça de dança sobre família. Uma peça bonita, com que as pessoas se identifiquem...e que tenha muitos finais felizes apesar de tudo, como a minha tem :)

 

Cisne

E é assim que a vida passa...

Somos 3 a escrever aqui e o último post foi há dois meses. 

Estamos vivas e bem de saúde (tirando a mental ) mas completamente assoberbadas com trabalho. E cenas várias, tipo um cão. E é isto que sinto dos dias, que passam demasiado rápido, que não se fez nada de relevante, que parecemos robots, cheios de horários e funções a cumprir. Fechamos os olhos e começa tudo de novo, todas as semanas com diferentes problemas e desafios, e, no entanto, as semanas todas iguais. Passa o Verão, aparece logo o Natal, no Carnaval piscamos os olhos e é Páscoa. 

Como se tira o pé do acelerador e se aprecia, convenientemente, um dia?

É o que é, uma merda!

Há uns tempos perguntavam-me porque não escrevia no blog acerca da minha depressão, já que podia ajudar alguém que possa estar a passar pelo mesmo. Não me fez sentido porque tristezas não pagam dívidas e ninguém quer ouvir mais desgraças e problemas, já bastam os seus e a vida de todos os dias. Eu, no lugar de quem possa estar a ler, preferia não ler acerca do assunto. Mas isso sou eu e, felizmente, não somos todos iguais.

Não gosto particularmente do tema, desde sempre que evito falar desta doença e só quem me conhece bem, ou me acompanha há muito tempo, sabe da luta que tem sido. Tenho vergonha, admito. É como falar de uma fraqueza, e ninguém gosta de se sentir fraca ou diminuído. A depressão já faz isso muito bem.

Perguntei "Mas vou dizer o quê? Nem sequer é uma história de sucesso, de alguém que venceu a doença...", "Dizes como tem sido, para que alguém saiba que não está sozinho". Tem sido uma merda. Pelo menos, no último mês, consequência de ter deixado a medicação em julho, porque estava a fazer terapia e sentia-me muito bem. Achei que podia. Não posso. Não para já, ou não desta forma, ou talvez não, de todo. De maneira que sim, é uma merda. É viver em constante ansiedade t.o.d.o o dia, é pensar na morte assim que me dói o peito (e tem doído dado o estado de ansiedade), é ter medo de voltar aos ataques de pânico (sim, também voltaram), é não viver tranquila nem desfrutar de nada que a vida oferece, é sentir-me pequena e incapaz, é achar que o mundo inteiro depende de mim e não vou conseguir corresponder, é sentir a solidão até aos ossos, mesmo com companhia, é querer dormir só para parar um bocadinho a minha mente.

De novo, e porque não há mais nenhuma palavra que a defina tão bem: é uma merda.

 

Crescer é difícil

É engolir o orgulho.
É saber o nosso valor.
É tomar decisões sem certezas.
É evitar decisões até à última.
É ter fé em tudo.
É não ter fé em nada.
É cuidar de quem amamos.
É cuidar de nós.
É procurar um equilíbrio entre os dois.
É nunca o encontrar.
É aprender.
É desaprender.
É mudar.
É aceitar quando os outros mudam.
É aceitar quando não mudam.
É aceitarmo-nos.
É perdoar quando nos magoam.
É magoar e ser perdoado.
É perdoarmo-nos.

 

A lista continua e só espero continuar a crescer para a ir aumentando.

 

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Falemos de coisas sérias:

Há por aqui alguém que queria fazer treino de obediência para cães, em regime de voluntariado? Claro que pergunto na brincadeira, é um trabalho que acho que deve ser muito bem remunerado, só tenho pena de não o poder pagar.

Em troca, recebe toda a gratidão e admiração que terei por semelhante criatura. Sim, andei no youtube e por essa net dentro, já sei do reforço positivo e de trelas que dão choques eléctricos, já li livros inteiros, já ouvi conselhos de todos os amigos com cães (já adultos e bem comportados) mas, ainda assim, não consigo ensinar o bicho a fazer xixi e cocó sempre no mesmo sítio. A maior parte das vezes acerta no xixi, especialmente se eu estiver em casa, mas o cocó é onde calha e nunca, mas nunca, quando o levo à rua. O bicharoco é super inteligente, por isso, acho que sou eu que não estou a saber ensinar a lição. De tantas teorias, ainda não me decidi por uma para a levar a cabo. Acho que o problema passa por aí.

Tenho muitas saudades do cheiro da minha casa.

 

Dos desafios

Ultimamente, e por ultimamente o que eu quero realmente dizer é nos últimos anos, a minha resposta instintiva a tudo é não. Podia ficar aqui a dissertar sobre os motivos pelos quais isso acontece mas não me parece que seja necessário ou produtivo. Em vez de questionar o porquê, vou recorrer a uma expressão de que o meu psicólogo/terapeuta/santo que me atura semanalmente gosta muito e que me diz frequentemente para utilizar: para quê?


A que é que o dizer "não" me leva? Exactamente aos mesmos resultados que tenho agora, repetidos ad eternum até a resposta ser diferente. Por outro lado, dizer "sim" é desafiante. É a minha natureza questionar tudo o que me é dito, tudo o que me é proposto, até tudo o que me é oferecido. Tenho tentado mudar isso aos poucos mas se for sincera, é claramente um trabalho em progresso ou o acima mencionado psicólogo/terapeuta/santo que me atura semanalmente não diria quase todas as sessões após um suspiro e um sorriso "A Diana é uma pessoa difícil. Mas é um desafio. E eu gosto de desafios."


Acontece que eu também gosto de desafios. Adoro superá-los ainda mais do que odeio falhá-los, embora nem sempre me lembre disso quando é altura de escolher enfrentá-los. Felizmente, tenho na minha vida pessoas tão inabaláveis na sua confiança das minhas capacidades que continuam a propor-mos, nunca demovidos pelos meus "nãos".


Obrigada a todas essas pessoas, mas especialmente à Cisne e ao seu respectivo, porque este último projecto que me propuseram é muito difícil. Mas é um desafio. E eu gosto de desafios.

Do lado lunar

Há uma quase obrigação em ser feliz hoje em dia. Em ser positivo e "para cima", em ser leve e grato. Pululante de alegria. Não tenho nada contra e talvez o mundo precise mesmo de uma força motivadora extra mas o que me incomoda é ostracizar a tristeza, ou uma fase mais negra. É quase vergonha estar triste ou deprimido, ou passar por fases mais negras e negativas, em que tudo corre mal. Vejo com frequência o conselho "afaste-se de pessoas negativas" e fico sempre a pensar no que acontece a todas as pessoas que são metidas de parte para a suposta auto-preservação da felicidade alheia.

A verdade é que nem sempre a vida corre bem, nem sempre fazemos as melhores escolhas nem sempre estamos no momento mais brilhante, aliás, acho que a maior parte do tempo ninguém sabe muito bem o que anda a fazer. E é natural. Como as estações do tempo: há estações mais fáceis de gostar, mais bonitas e cheias de cor mas só existem porque há outras, diferentes, mas que fazem parte do todo. Nós somos luz e sombra, não interessa se está na moda o positivismo e temos que ser felizes à força.