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Rir e Comer Bolachas

Aborrecida que nem um perú em vésperas de Natal

É como ando ultimamente, enquanto (des)espero por tão ansiadas férias.

Ando impaciente, rabugenta, procrastinadora e sem energia. Tenho corrido pouco ou nada e ando com motivação em mínimos históricos. No trabalho ando irritadiça e surpreende-me que ainda não me tenha pegado com alguém, mas,agora que penso nisso, é possível que se deva à facilidade que tenho em olhar para as pessoas e não ouvir uma única palavra do que dizem. Especialmente, quando é conversa-de-encher-chouriços que não acrescenta nada ao dia de alguém. E o sono, senhores? Tanto, mas tanto sono.

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Para lembrança futura

 

Na semana passada fiz uma compra online e dei a morada antiga dos meus pais para a entrega, quando me apercebi do erro já tinha sido expedida e tive que aguardar para ver o que acontecia. Por acaso, por esses dias foi entregue no meu local de trabalho uma encomenda vinda do mesmo sitio e tive a oportunidade de perguntar ao senhor da transportadora o que podia fazer para que a encomenda não fosse devolvida mas não o fiz por puro preconceito. Vi o senhor e não gostei do ar dele, pareceu-me antipático, rude. Achei que, se lhe contasse, ele não só não iria ajudar como até dificultaria. Porquê? Não faço ideia. Manias. Não gostei do ar dele e pronto. Dias depois recebo um telefonema da transportadora porque não conseguiam fazer a entrega: não estava ninguém em casa. Contei o sucedido e o senhor perguntou-me onde estava, compadecido, e disponibilizou-se a entregar onde eu estava. Fiquei muito sensibilizada. Quando o vi entrar percebi que era o mesmo, o tal de quem não tinha gostado. Senti-me estúpida e preconceituosa. 

É tão mais confortável pensar que os outros é que são preconceituosos e nós não. Se não gostarmos de alguém à primeira (e nas outras vezes) é porque é o nosso instinto a falar mais alto, é porque a outra pessoa não é de confiar e nós, na nossa infinita sabedoria, já a topámos à légua. Mentira, não é instinto, é preconceito. É a ilusão de que tiramos a pinta à primeira vista com os nossos super poderes.  

Porque as mães é que sabem

Ao almoço levantei-me para meter mais vinagre na salada e a minha mãe, acérrima defensora de tudo-ao-natural-e-sem-conservantes, diz:

- Vou comprar limões para não meteres vinagre na salada. Isso só te faz mal.

- O vinagre não faz mal nenhum a ninguém. 

- Faz mal, sim, Está cheio de sulfates.

- Sulfates? É sulfitos, mãe.

- É sulfates... Tiraram o "a" e meteram um "i" para parecer mais fofinho.

 

 

 

Juro que esta mulher vai viver até aos 200 anos.

 

Da condução das pessoas em geral (e de uma em particular)

A minha irmã é uma leide. Tem pose, tem classe, gosta de coisas refinadas e tem um ar de diva dos anos 50. Costumamos dizer que tem berço, a gaja. Nunca anda despenteada, ou amarrotada, ou de sapatos rasos. Usa ténis na loucura e, há poucos dias, usou umas calças rotas nos joelhos e toda a gente estranhou, tal é a elegância da diva, perdão, da mulher. Mas este ser polido e cheio de nove-horas-ao-meio-dia transforma-se quando conduz. Há todo um camionista (sem ofensa para a classe) que se liberta, qual ser possuído, quando alguém a provoca na estrada, seja em ultrapassagens mal feitas, buzinadelas sem nexo, ou faltas de respeito em geral. A mulher fica transtornada, gesticula, diz palavrões, chama nomes e pode até dar-se o caso de haver uma perseguição com o carro. Depois baixa a calma nela e volta a ser uma senhora. Nos dias bons até é capaz de rir com a figura que acabou de fazer.

Somos um povo tão agressivo a conduzir e tão pacato na vida em geral.

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Rosas na sopa alheia

Um dos temas que temos abordado em terapia é a humildade, que nada tem a ver com o facto de nos diminuirmos, ou fingirmos que não temos as qualidades ou mérito que temos. Humildade é sabermos vermo-nos como pessoas inteiras, com qualidades e defeitos e olharmos para o outro exatamente da mesma forma, um ser completo, com experiência de vida tão válida como a minha, de onde resulta tudo aquilo que se tornou, ou quem é.

Confesso que tenho muita dificuldade nesta matéria. Tenho dias em que me sinto pequenina, diminuída, uma sombra de gente ao pé de outros tão maiores do que eu, são os dias em que me foco em tudo o que correu mal, em tudo o que poderia ter feito e não fiz ou o que fiz e não devia ter feito. São os dias dos "e se...". Depois existem os outros dias, aqueles em que me sinto uma pessoa tão especial, tão incrível, que me apetece corrigir alguém se não me dá o devido valor e perguntar se acha que andam por aí a cair Rosas nas suas sopas (trocadilho com o meu nome).

Li algures uma frase que dizia mais ou menos isto: se alguém te apresentasse a ti, irias gostar de te conhecer? Eu iria. Sem querer ser superior ou inferior, continuo a achar-me especial. Talvez não seja isto a humildade e vou fazer terapia até aos 90 anos. :)

Prioridades

Há uns dois meses que tinha um jantar combinado com amigas, cinco agendas a coordenar e lá se encontrou um consenso para determinada data, e ficámos à espera que a coisa se desse. Nada combinei para esse dia e achei que todas tinham feito o mesmo. Não tinham. Uma nunca disse que sim, nem que sopas, "ah e tal tenho que confirmar mais perto da data", outra desmarcou no dia anterior porque tinha surgido um imprevisto e não dava jeito jantar porque chegaria tarde e ia ficar stressada, e que nos encontrávamos a seguir para café. Fiquei piursa. Fiquei fula da vida. Eu sei que as pessoas têm vidas, têm família, têm outros afazeres e outras companhias e estão no direito de as priorizar como lhes aprouver mas não combinem. Não se comprometam e não me impeçam de fazer outras coisas que, se calhar, deixei de fazer para estar ali. Porque é a minha forma de dizer que me importo, porque é estando presente que digo que gosto das pessoas. 

 

Das manias

Todos temos manias ou pequenos e irritantes hábitos que vamos perpetuando. Eu achava que os outros tinham bastante mais do que eu mas tenho tomado atenção para a minha picuinhice e fui surpreendida.

Só escrevo com uma caneta preta, de uma marca específica. Como é habitual a desgraçada desaparecer, escondo-a quando vou almoçar e guardo-a no fim do dia de trabalho. Tenho outra na mala e em casa.

Não gosto de clips que não sejam de metal. Aqueles com aquele plástico colorido marcam as folhas. Tenho um colega que me traz documentação com esses que me irritam e guardo-os todos; quando lhe devolvo os documentos utilizo os dele. 

Detesto tampas de sanita levantadas e portas de casa de banho abertas. Adoro andar descalça.

 

Gosto de me sentar de um lado específico do sofá.

Só adormeço deitada para o meu lado direito e, por mais que queira ocupar a cama toda, só ocupo um cantinho da cama. Durmo com, pelo menos, 3 almofadas, umas ao lado das outras.

Não sou capaz de ficar onde não sinto que faço falta. Se não é importante que eu esteja, muito provavelmente, nem saio de casa.

Faço piadas parvas quando estou nervosa porque quero aligeirar o ambiente. 

Não sou de flirts. Não tenho jeito e aborrecem-me de morte, parece um casting e soa-me tudo a falso. Tenho a mania das conversas sérias.

Detesto a farinha do pão nas mãos.

Tenho a mania de reparar nas manias das pessoas, acho-lhes graça.

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Porque sim

Já fui tremendamente feliz. Já fui desmesuradamente infeliz. Já senti o coração dilatar para fazer caber quem não me pertencia. Já fechei o coração e não deixei ninguém entrar. Já me senti esmagada com a presença de muita gente e já me senti sozinha no mundo. Já senti a solidão de não me conhecerem e já soube o que era ser vista como se fosse transparente. Já vivi muito e já me isolei para não deixar que a vida me encontrasse.

Hoje sou maior do que fui ontem e sei que não tenho a vida perfeita. Hoje dou o peito às balas para o que vier e faço a viagem com quem quiser acompanhar, não dependendo da companhia de ninguém mas apreciando quem ficar de livre vontade e por sua conta e risco. Hoje sou feliz com o que tenho e com quem sou. Agradeço todos as pedras no caminho e não farei nenhum castelo com elas, vou deixá-las onde estão porque não me pertencem.

Verdadeiramente meu só este coração enorme, com vontade infinita de amar e dar-se.

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Cair sete vezes e levantar as que forem precisas para ficar de pé

Há cerca de dois meses recomecei a fazer terapia, diferente de tudo, inclusivamente, diferente da primeira vez que tentei segundo os métodos tradicionais.Fui de mente aberta (diria mesmo escancarada) e tenho tentado aproveitar ao máximo aquilo que me é mostrado ou sugerido. Em pouco tempo sinto melhorias, se é coinf02331043e4b561582743e1be0cbbe8c.jpgcidência ou não, não sei, nem quero saber. É um investimento em mim que estou a aproveitar com unhas e dentes.

Ao contrário de um tratamento convencional, como arrancar um dente, por exemplo, na terapia o processo de cura acontece fora da sala, fora da hora da sessão, o processo acontece quando eu saio de lá e encontro a minha vida, os meus pensamentos, as minhas crenças. Acontece quando saio da minha zona de conforto e nado em águas desconhecidas. Isto traz uma sensação agridoce: sinto que estou a resolver o que provocava o mau-estar, ataques de pânico, isolamento, mas, para que isso aconteça tenho que me testar, que me obrigar a fazer diferente, a sair do modo automático e sair do modo automático provoca-me ansiedade e podia dar-se aqui uma pescadinha de rabo na boca, mas não aconteceu ainda. 

Em traços largos, a terapia consiste em mandar-me sair daquela sala confortável e segura e viver. Dar o corpo às balas e ir sem medo. Experimentar, fazer diferente, deixar de adiar e arranjar desculpas, arriscar e não ter medo de cair. Hoje esfolei os joelhos. Não sendo agradável, que não foi, deu para verificar que sei ficar de pé e sei levantar-me também. E tenho umas pernas bonitas, vá.:)