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Rir e Comer Bolachas

Banda sonora do dia

 

Porque há dias em que a vida nos mostra que não controlamos absolutamente nada, e que os fios com que cosemos a nossa vida muitas vezes se entrelaçam com outros, sem motivo aparente, a não ser a ironia.

 

Olá, eu sou a Catrapuz.

E não sou alcóolica. Mas às vezes acho que devia ser porque há dias que só se resolvem com um bom copo de vinho. Ou um copo de vinho, vá. Pronto, uma garrafa e não se fala mais nisso! O problema é que eu nem sequer gosto de vinho mas achei que devia apelar aos leitores da Trocatintas e se for verdadeira a teoria de que os leitores reflectem o autor, então os leitores deste blog devem gostar muuuuuito de vinho. Eu cá sou mais do chocolate. E da alheira. E da comida em geral, vá.

 

E apeteceu-me desabafar porque esta 5ª feira mais parece 2ª, este Julho mais parece Janeiro e este 2018 mais parece 2013.

 

Era só isto e agora vou ali enfardar 3kg de batata frita camponesa e já volto.

 

 

 

Decisions, decisions

Ando num dilema. Perdi-me de amores por um Boxer (que podia ser um Labrador, um Chow-Chow ou um Rafeiro Alentejano ou até um rafeiro comum, basicamente, tudo o que seja grandito e tenha um focinho simpático) e voltei a desesperar por um cão. Gostava muito de ter um cão em casa, mesmo que tenha de me levantar de madrugada para o passear. O problema é que não tenho condições para o ter. Faz-me lembrar quando saio de casa para comprar uns sapatos rasos porque preciso para não fazer mal à coluna e por serem práticos, mas acabo por regressar ou sem sapatos ou com uns de 9 cms porque apaixonei-me e são lindos de morrer, e porque não gosto de sapatos rasos. É que o meu coração bate por cães de porte médio ou grande e eu moro numa caixa de fósforos... Já para não falar do dinheiro que não tenho para suportar mais um encargo com comida, vacinas, eventuais problemas de saúde. Ou da falta de liberdade que teria e que me iria impedir de fazer as viagens que tanto gosto ou de dormir fora de casa sem problemas de consciência.

Eu sei, não posso ter um cão. Não seria responsável da minha parte. Mas o que posso fazer? Há quem lamba montras de roupas, eu ando pelos canis virtuais a sonhar alto.

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Aborrecida que nem um perú em vésperas de Natal

É como ando ultimamente, enquanto (des)espero por tão ansiadas férias.

Ando impaciente, rabugenta, procrastinadora e sem energia. Tenho corrido pouco ou nada e ando com motivação em mínimos históricos. No trabalho ando irritadiça e surpreende-me que ainda não me tenha pegado com alguém, mas,agora que penso nisso, é possível que se deva à facilidade que tenho em olhar para as pessoas e não ouvir uma única palavra do que dizem. Especialmente, quando é conversa-de-encher-chouriços que não acrescenta nada ao dia de alguém. E o sono, senhores? Tanto, mas tanto sono.

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Para lembrança futura

 

Na semana passada fiz uma compra online e dei a morada antiga dos meus pais para a entrega, quando me apercebi do erro já tinha sido expedida e tive que aguardar para ver o que acontecia. Por acaso, por esses dias foi entregue no meu local de trabalho uma encomenda vinda do mesmo sitio e tive a oportunidade de perguntar ao senhor da transportadora o que podia fazer para que a encomenda não fosse devolvida mas não o fiz por puro preconceito. Vi o senhor e não gostei do ar dele, pareceu-me antipático, rude. Achei que, se lhe contasse, ele não só não iria ajudar como até dificultaria. Porquê? Não faço ideia. Manias. Não gostei do ar dele e pronto. Dias depois recebo um telefonema da transportadora porque não conseguiam fazer a entrega: não estava ninguém em casa. Contei o sucedido e o senhor perguntou-me onde estava, compadecido, e disponibilizou-se a entregar onde eu estava. Fiquei muito sensibilizada. Quando o vi entrar percebi que era o mesmo, o tal de quem não tinha gostado. Senti-me estúpida e preconceituosa. 

É tão mais confortável pensar que os outros é que são preconceituosos e nós não. Se não gostarmos de alguém à primeira (e nas outras vezes) é porque é o nosso instinto a falar mais alto, é porque a outra pessoa não é de confiar e nós, na nossa infinita sabedoria, já a topámos à légua. Mentira, não é instinto, é preconceito. É a ilusão de que tiramos a pinta à primeira vista com os nossos super poderes.  

Porque as mães é que sabem

Ao almoço levantei-me para meter mais vinagre na salada e a minha mãe, acérrima defensora de tudo-ao-natural-e-sem-conservantes, diz:

- Vou comprar limões para não meteres vinagre na salada. Isso só te faz mal.

- O vinagre não faz mal nenhum a ninguém. 

- Faz mal, sim, Está cheio de sulfates.

- Sulfates? É sulfitos, mãe.

- É sulfates... Tiraram o "a" e meteram um "i" para parecer mais fofinho.

 

 

 

Juro que esta mulher vai viver até aos 200 anos.

 

Da condução das pessoas em geral (e de uma em particular)

A minha irmã é uma leide. Tem pose, tem classe, gosta de coisas refinadas e tem um ar de diva dos anos 50. Costumamos dizer que tem berço, a gaja. Nunca anda despenteada, ou amarrotada, ou de sapatos rasos. Usa ténis na loucura e, há poucos dias, usou umas calças rotas nos joelhos e toda a gente estranhou, tal é a elegância da diva, perdão, da mulher. Mas este ser polido e cheio de nove-horas-ao-meio-dia transforma-se quando conduz. Há todo um camionista (sem ofensa para a classe) que se liberta, qual ser possuído, quando alguém a provoca na estrada, seja em ultrapassagens mal feitas, buzinadelas sem nexo, ou faltas de respeito em geral. A mulher fica transtornada, gesticula, diz palavrões, chama nomes e pode até dar-se o caso de haver uma perseguição com o carro. Depois baixa a calma nela e volta a ser uma senhora. Nos dias bons até é capaz de rir com a figura que acabou de fazer.

Somos um povo tão agressivo a conduzir e tão pacato na vida em geral.

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Rosas na sopa alheia

Um dos temas que temos abordado em terapia é a humildade, que nada tem a ver com o facto de nos diminuirmos, ou fingirmos que não temos as qualidades ou mérito que temos. Humildade é sabermos vermo-nos como pessoas inteiras, com qualidades e defeitos e olharmos para o outro exatamente da mesma forma, um ser completo, com experiência de vida tão válida como a minha, de onde resulta tudo aquilo que se tornou, ou quem é.

Confesso que tenho muita dificuldade nesta matéria. Tenho dias em que me sinto pequenina, diminuída, uma sombra de gente ao pé de outros tão maiores do que eu, são os dias em que me foco em tudo o que correu mal, em tudo o que poderia ter feito e não fiz ou o que fiz e não devia ter feito. São os dias dos "e se...". Depois existem os outros dias, aqueles em que me sinto uma pessoa tão especial, tão incrível, que me apetece corrigir alguém se não me dá o devido valor e perguntar se acha que andam por aí a cair Rosas nas suas sopas (trocadilho com o meu nome).

Li algures uma frase que dizia mais ou menos isto: se alguém te apresentasse a ti, irias gostar de te conhecer? Eu iria. Sem querer ser superior ou inferior, continuo a achar-me especial. Talvez não seja isto a humildade e vou fazer terapia até aos 90 anos. :)

Prioridades

Há uns dois meses que tinha um jantar combinado com amigas, cinco agendas a coordenar e lá se encontrou um consenso para determinada data, e ficámos à espera que a coisa se desse. Nada combinei para esse dia e achei que todas tinham feito o mesmo. Não tinham. Uma nunca disse que sim, nem que sopas, "ah e tal tenho que confirmar mais perto da data", outra desmarcou no dia anterior porque tinha surgido um imprevisto e não dava jeito jantar porque chegaria tarde e ia ficar stressada, e que nos encontrávamos a seguir para café. Fiquei piursa. Fiquei fula da vida. Eu sei que as pessoas têm vidas, têm família, têm outros afazeres e outras companhias e estão no direito de as priorizar como lhes aprouver mas não combinem. Não se comprometam e não me impeçam de fazer outras coisas que, se calhar, deixei de fazer para estar ali. Porque é a minha forma de dizer que me importo, porque é estando presente que digo que gosto das pessoas.