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Rir e Comer Bolachas

Pergunta para queijinho

Existem más relações entre pais e filhos?

A pergunta leva-me logo o pensamento para a adolescência, ou início da vida adulta, mas não é isso que gostava de saber. Pergunto-me se existem más relações, daquelas que vêm dos fígados, que é algo quase físico, quase palpável, que nem se explica muito bem mas sente-se, como se houvesse falta de empatia, falta de um elo, mas  que nada tem a ver com amar. Um amor difícil, portanto.

O início da maternidade, para mim, foi tudo menos natural. Aquele intinto maternal que, supostamente, nasce com a criança e de que toda a gente falava, não nasceu. Nos primeiros dias em casa, tinha medo de tudo, desde dar banho a não perceber os vários tipos de choro. Juro que, às vezes, olho para ele e fico surpreendida por termos sobrevivido. Desde bebé até agora, já tive várias crises de identidade como mãe: ou sinto-me negligente, ou culpada, ou rígida, ou permissiva, ou nada disto e tudo ao mesmo tempo, de tal forma que, quando me chegam as grandes crises de culpa (basicamente, sinto-me culpada de tudo), chego a contar quantas vezes lhe dou um abraço ou um beijinho, ou simplesmente digo "gosto de ti". Nunca senti o meu filho particularmente ligado a mim (em detrimento do pai, por exemplo), nunca senti aquelas borboletas ao amamentar, e ele, por sua vez, nunca esperneou por sentir a minha falta no infantário, ou na escola, e aos três anos de idade só queria ficar com a avó - não havia quem o tirasse de lá antes de domingo à noite. Também nunca brinquei com ele, optava por jogos ou desenhos, ou qualquer outra coisa, porque não sei brincar. Assumi que era uma mãe mediana, nem má, nem boa, o suficiente para o rapaz sobreviver. Isso custa-me, faz-me sentir culpada. Gostava que ele tivesse a melhor mãe do mundo, que fôssemos cúmplices, que me considerasse amiga, mas eu não sei ser isso, só sei tentar ser o melhor que sou - e isso, infelizmente, inclui errar muitas vezes, e tentar outra coisa outras tantas. Ultimamente, já sinto que temos uma relação diferente porque ele está crescido, já partilhamos gostos, ou discutimos opiniões, acaba por haver sempre assunto, partilha, o que acaba por gerar cumplicidade. Isto, claro, quando as hormonas não o fazem andar mono, calado e zangado com o mundo em geral. 

Resumindo e baralhando, é ele que me tem ensinado a ser mãe dele, e não me sinto uma aluna extraordinária, embora me esforce. Mas isso não me impede de o amar incondicionalmente, tal como ele a mim.

Mas a pergunta mantém-se... Existem ou não más relações, independentemente das circunstâncias?

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