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Rir e Comer Bolachas

Mar adentro

Andava eu a saltitar de canal em canal quando parei na 2 e vi que estava a dar um dos meus filmes favoritos: Mar adentro. Este filme toca-me, remexe-me as entranhas e faz-me pensar na morte, mas sobretudo, faz-me pensar na vida sem condições para ser vivida. Chorei como se não houvesse amanhã e fui deitar-me com aquela sensação horrível de que pode acontecer a qualquer um isto de a vida nos tirar a dignidade, de nos remeter à nossa pequenez, de nos provar como somos frágeis e de como tomamos tudo como garantido. Queixamo-nos de merdinhas e vivemos como se fossemos imortais e intocáveis. Por outro lado, talvez seja esta a melhor forma de viver, ou seja, sem pensar em como caminhamos para o fim, e que a qualquer momento podemos ficar privados de saúde, de liberdade. 

É bom que me lembre de vez em quando que a vida não me pertence, mas aquilo que acontece nela é minha responsabilidade. Culpamos tudo, desde o tempo à senhora da mercearia que foi mal educada, pelo nosso queixume habitual, pela nossa infelicidade, pelas injustiças da vida, mas poucas são as vezes que assumimos a nossa responsabilidade nas escolhas e na falta delas, na forma como (sobre)vivemos, porque é muito mais fácil andar à deriva e ver o que "isto" dá do que agarrar o touro pelos cornos e irmos à luta, de fazer com que todos os dias contem.

 

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