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Rir e Comer Bolachas

Maturidade vs ingenuidade

No sábado vi a entrevista a Helena Sacadura Cabral no "Alta Definição" e adorei. Gostei tanto que ainda me lembrei da entrevista horas mais tarde, fiquei a degustar certas frases como se um livro se tratasse. Talvez por gostar da forma como escreve, e gostar de saber certas opiniões que lhe conheço através das suas crónicas.

Impressionou-me o facto de ter respondido que a ingenuidade de criança não desaparece por completo com o passar da idade. Penso que nunca ouvi ninguém dizê-lo, e pior, duvido que o sintam e é pena. Porque acho que se confunde ingenuidade com falta de inteligência, ou de outra forma, quem é inteligente não se deixa enganar. Ser ingénuo não é necessariamente mau, ser ingénuo é confiar no outro, confiar na sorte, acreditar no bem contra o mal.

É obrigatório desconfiar das pessoas, é de bom tom não dar confiança, nunca mostrar o que sentimos, etc. Quando digo que não estava à espera de esta reação ou daquela por parte de alguém é muito fácil ouvir "é para aprenderes que não se pode confiar em ninguém", é quase obrigatório sermos desconfiados, cautelosos... É pena. Na adolescência sonhamos tanto, quando jovem adulto aprendemos a desconfiar e nunca, nunca, entregar os pontos e mostrar fragilidades, e depois parece que numa idade mais esclarecida passamos a desejar a ingenuidade da infância. Provavelmente porque não existe forma melhor de viver, não por gostar de ser enganado.