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Rir e Comer Bolachas

Da noite de ontem

O fulano é giro nas horas, que é, mas a voz... Pronto, a voz é aquela coisa que mexe cá dentro (ainda não me esqueci da fanny) e me faz cantar de cor as músicas todas, adorar o alinhamento e o espectáculo. No final , Jared Leto disse que não iria esquecer aquela noite... Ele não sei, provavelmente diz isso em todos os concertos, mas eu não vou esquecer de certeza.

Adorei, adorei, adorei. E fiquei com vontade de ouvi-los mais umas horas. Soube-me a pouco.

E foi assim o meu primeiro concerto.:) (do género, claro)

Do meu filho

Eu não sei se é evidente para quem me conhece, ou fala comigo, ou apenas lê, mas eu tenho medo de não ser uma boa mãe. Tenho medo de atrofiar o miúdo, ou de fazer dele uma pessoa insegura, ou até de ser demasiado exigente.

Não é um pensamento que esteja presente todos os dias mas quando preciso de tomar uma decisão, ou de o contrariar, começo a ouvir o meu grilo falante que de sensato tem muito pouco. Provavelmente é porque as minhas certezas são poucas, ou seja, não acredito em nada tão cegamente que me faça não duvidar. É assim desde que ele nasceu, sinto que ser mãe é uma coisa tão grande, tão avassaladora, que ainda me faz olhar em retrospetiva e ficar maravilhada por ter conseguido até aqui.

E esta conversa porquê? Porque começo a ver nele a personalidade a querer desenhar-se, a adquirir o seu próprio cunho, a ter as suas ideias e os seus pensamentos, e a ser um ser humano muito melhor que eu. E é um orgulho que não cabe mais em mim. Alguma coisa certa eu ando a fazer.

Ontem foi Natal

Em meados de setembro eu a Bolacha Maria decidimos que íamos deixar de umas pelintras e o passo mais lógico a seguir foi fazer um mealheiro. Tínhamos no carro e volta na volta metíamos lá para dentro uns trocos, ora prémios de raspadinhas, ora de cafés não bebidos, ora qualquer quantia que não esperássemos receber. Até a nossa mãe entusiasmou-se com a ideia e metia lá uns euros de vez em quando.

A ideia inicial era termos dinheiro para o ginásio, mais propriamente, para aulas de zumba. Depois, pensámos melhor e ficou para alguma emergência que pudesse surgir.

Ontem chegámos à conclusão que sobrou-nos dias no mês para os ordenados que temos e, em vez de andarmos no sufoco, resolvemos abrir o mealheiro. Não era uma emergência mas justificava-se. E foi Natal!!! Mas não um natal de adultos, em que já não esperamos prendas valiosas porque conhecemos o valor das coisas, não. Foi um natal de crianças! Até fizemos palpites do valor que estaria amealhado!

Ficámos com mais dinheiro. Não o suficiente para fazer umas loucuras mas o suficiente para andarmos sossegaditas até ao final do mês. E só digo que é viciante. Já temos mais um mealheiro, já soube que tem dez euros lá dentro e este, se tudo correr bem, será aberto quando estiver cheio. Lá para o natal. Seja lá em que mês for...

Um post que adivinho ser longo

Tenho andado arredada da escrita no blog. Não é que tenha pouco para dizer, pelo contrário, a minha vida tem pouco glamour mas é rica em drama... É que não sei como escreva. Nem decidi ainda se quero escrever porque a escrita é como uma racionalização dos pensamentos, é como se os ordenasse, se lhes desse corpo e, por consequência, um destino. Se por um lado é bom, por outro obriga-me a confrontar com os meus próprios pensamentos. Realmente vê-los.

 

Há quatro anos, sensivelmente, foi-me diagnosticada uma depressão. Não pelos sintomas comuns à depressão mas porque um dia a minha mente fez tilt e tive um ataque de pânico que me fez fugir do local de trabalho, lavada em lágrimas, a dizer que tinha enlouquecido. Não sabia do que tinha medo, ou se era medo, só sabia que tinha que sair dali. O coração disparou, tremia tanto que não ficava de pé e o pé nem conseguia pisar o acelerador do carro com força suficiente para que andasse. Pensei, mesmo, que tinha enlouquecido. Achava eu que aquilo tinha acontecido de repente mas agora sei que não. Uns meses antes comecei a sentir taquicardia, dificuldade em respirar, vontade de chorar sem motivo que o justificasse, tensão arterial alta, enfim, estava convencida que tinha um problema cardíaco. Ou renal. Mas exames mostravam o contrário, estava sã que nem um pêro embora tivesse dias a sentir-me o pior ser vivo à face da terra. Depois tinha outros em que tudo corria de feição e esquecia-me. Tornei-me especialista em esconder isto de toda a gente. Não me perguntem a razão porque não sei. E deixei andar, até chegar a um ponto em que o próprio corpo (e mente) obrigaram-me a parar.

Seguiu-se o normal. Médico, medicamentos, psiquiatra e semanas a dormir. Não distinguia dias da semana, dormia dias e noites inteiras, andava apática. Vivia há poucos meses com o meu marido e sei que para ele foi difícil, vivia com um zombie, eu não era uma sombra da mulher de quem ele gostava, eu era outra pessoa. Mesmo para o resto da família, que não vive comigo, foi complicado porque sentiam-se impotentes. Acho que é o que mais custa a quem está à volta, o não poder fazer nada, não saber o que dizer, como lidar.

 

Isto para dizer que era escusado chegar ao ponto que cheguei se tivesse identificado os sintomas. Nem os médicos diagnosticaram coisa alguma porque escondia, ou negligenciava, o que sentia. No fundo tinha vergonha... Tanta gente com problemas a sério e eu, que tinha acabado de endireitar  (mais ou menos) a minha vida estava assim. A minha vida era catita. Não tinha porque me sentir assim. Sempre acreditei que depressões era coisa de gente desocupada e fútil. Gente fraquinha da cabeça. E eu não era nenhuma delas.

 

Custou muito a melhorar. Tive dias em que chorava por achar que não voltaria a ver a luz ao fundo do túnel. Desenvolvi vários medos, que me acompanham ainda, embora em menor escala. Houve um dia que nem sequer queria entrar para a banheira - tinha medo. De quê? Não faço ideia. Mas melhorei. Tenho medo de dizer que me curei embora já não esteja medicada. Tenho medo porque tenho muito, muito presente aquilo que sofri. E sei que uma parte de mim não é recuperável. Que algumas coisas não serão iguais e terei sempre que vencer medos, e barreiras, e obstáculos como uma reunião de pais é um verdadeira tormento. A que me obrigo a ir para não alimentar este medo, irracional, de alguma coisa que não sei o que é, e que nem deve existir.

 

Se está aí alguém que já sentiu algo parecido: falem com alguém. Um médico, um amigo, qualquer pessoa, mas façam alguma coisa. Não esperem que passe por si, que são manias, fanicos de gente desocupada e infeliz. É uma doença e trata-se. E cura-se.

Um hábito que não consigo perder

Na verdade tenho vários mas um deles traz-me muitos dissabores - achar que sei o que outra pessoa pensa/sente/faz. Vamos imaginar uma situação em que alguém faz uma coisa que não gosto, em vez de confrontar a pessoa com essa situação meto-me a fazer filmes. Fico a remoer o assunto, não digo na altura e vai fermentando até explodir e porquê? Porque já imaginei várias situações na minha cabeça (todas elas com bastante criatividade) até me convencer que sei o que aconteceu, como e porquê.

Geralmente não sei e, aí sim, tenho um problema para resolver.

Diz que é a adolescência

Costumo almoçar na casa do meu irmão por ser perto do sítio onde trabalho, que, por sua vez, é perto de uma agrupamento de escola. Todos os dias, ou quase vá, tenho que desbravar caminho para conseguir entrar dentro do prédio já que os degraus estão sempre ocupados por adolescentes, que resolvem ir para ali almoçar. Ou namorar. Montam ali o arraial deles e estão-se nas tintas para quem chega, alguns ainda se desviam, outros nem isso...

E isto faz-me um bocado confusão! Aquele prédio não tem nada de especial, nos prédios circundantes acontece o mesmo fenómeno. Será moda?

Coisas parvas que me apetece escrever, sem ligação entre si, e que nunco escrevo por falta de enquadramento#4

- Tenho três furinhos nas minhas t-shirts preferidas (e quase novas). São pequenos furos, como se fossem buracos feitos por traças, todos juntinhos na zona da barriga. Pensei que fosse do cinto mas raramente uso, pensei que fosse do fecho das calças mas ficam mais acima, e não acontece em mais nenhuma peça de roupa, só t-shirts. Fininhas e giras. As minhas preferidas. Em todas.

 

- Gosto de verniz vermelho. Não pago mais que 1,50€ por frasco. Deve ser por isso que os documentos que tenho em cima da secretária estão riscados de vermelho (passo-lhes as mãos por cima e é ver um risco a aparecer... e não sai com borracha!)

 

- Lavar louça à mão e usar verniz de cor nas unhas é igual a: ou pinto as unhas todos os dias ou tenho que lavar a louça com luvas. E foi ver-me e lavar a louça com luvas, e tirar para atender o telemóvel, e enfiar novamente para continuar a lavar, e tirar para enxugar a louça... enfim. Desisti quando a água entrou dentro das luvas, porque é o tamanho acima das minhas mãos.

 

- Ter um filho (já) com onze anos tem coisas positivas. Agora tomo o pequeno almoço sentada, por exemplo. Acho que há onze anos só acontecia ao domingo...

 

- Estou a tornar-me na minha mãe. Não que ela seja indigna de ser um role model mas é que faço tudo aquilo que critiquei. Até as frases são as mesmas.

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