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Rir e Comer Bolachas

E como se faz isto na vida real e todos os dias?

O meu filho cresce todos os dias e eu nem sempre me lembro disto. E ainda bem que cresce todos os dias porque, desta forma, eu tenho todos os dias um dia para me habituar a novas formas de pensar e novas formas de resolver problemas. É que isto de moldar um ser humano é coisa para dar cabo da cabeça de qualquer um, acho eu.  Pior ainda quando eu ainda ando na tentativa-erro comigo mesma...

 

Há umas semanas atrás, e depois de uns dias particularmente difíceis, o meu filho disse-me que gostava de ir viver com o pai. Pânico. Mágoa. Revolta. Tudo em fracções de segundo. Depois, recompus-me e disse-lhe "Não, não vais. A adulta ou eu e eu é que decido o que é bom para ti", e foi o melhor que fiz. Ele tem 11 anos e estava a chamar a atenção, não se colocam aqui questões maiores - era apenas uma chamada de atenção. E foi-lhe possível porque tem o pai e a mãe separados, se não fosse o caso teria recorrido a outra estratégia. A questão é que eu chateio muito. Exijo muito. Ralho muito. Às vezes, até grito, imagine-se. E Sua Excelência não queria ser incomodado, queria viver tranquilamente. No fundo, o que ele estava a tentar dizer-me era que existem outras formas de lhe dizer as coisas, e nem sempre é tudo tão importante, e grave, e sério, como eu penso. E estava certíssimo. Mas depois teve de ouvir aquilo que eu espero, muito sinceramente, que ele retenha como ensinamento - não se desiste das pessoas de quem gostamos apenas porque dá trabalho. Não se desiste de pessoas, ou situações mais penosas só porque nos custa, se o fruto daquele sacrifício valer a pena. Chegámos a um compromisso: eu deixo de fazer tudo a "ferro e fogo" e ele respeita o facto de eu ser adulta e saber mais do que ele, e principalmente, porque (essa justificação inabalável) sou a mãe. E a mãe é que manda.

 

Mas a verdade é que esta cena não me sai da cabeça. É impressão minha ou os miúdos não fazem ideia do que é um sacrifício? Que as coisas que valem a pena dão trabalho mas têm qe ser feitas? Sou só eu a achar ou eles crescem a pensar que as pessoas são descartáveis e substituíveis? E que as relações não dão trabalho? Fomos nós, pais, que ensinámos isso? Ou é muito cedo para pensar tão "à frente" estou, de facto, a fazer filmes?

 

Ser pai/mãe é uma responsabilidade do caraças! E se eu faço tudo ao contrário e crio um monstrinho? Ou uma pessoa infeliz? Ou uma pessoa que não sabe lidar com dificuldades?

Ai. Era o Manual de Instruções, fáxavore.

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