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Rir e Comer Bolachas

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A idade trouxe-me muitas coisas mas a sabedoria não veio. Vieram as dores, as manias, os medos, peso mais, paciência a menos mas sabedoria zero. E a falta que me fazia. Acho muito difícil viver neste tempo, com a minha idade, e com as coisas que já sei. Vão dizer-me que a geração anterior anterior viveu tempos piores. Viveram, sim senhor. Muitíssimo piores. Os meus pais contam histórias que parecem de um passado muito longínquo, quando, na verdade, foi há muito pouco tempo. Mas eram mais felizes. Ou por outra, eram menos infelizes.

A geração dos meus pais exigiu menos da vida, acho eu, o que não os impediu de lutar para proporcionar aos filhos, e usufruirem eles mesmos, um nível de vida superior ao que tiveram, eram apenas mais felizes com as suas conquistas. Eu, agora, dou por mim a pensar em tudo aquilo que não vou ter. E não me parece que os meus pais tenham algum dia pensado assim. Não é que ande deprimida, ou pessimista, é apenas um contatar da realidade.

Por exemplo: nunca irei aos sítios que gostava de ir - Praga, Londres, Paris, Nova Iorque, Brasil, Egito, Sri Lanka, Tailandia. "Como é que sabes?" Deixa cá ver... Com o meu ordenado, teria que deixar de comer durante uns largos anos para o poder fazer. (E o que eu gosto de comer? Não fazem ideia!) E isto é um exemplo, entre muitos.

Falta-me sabedoria para saber viver feliz com o que tenho, porque não sou tolinha e sei bem que há quem viva pior. Mas gostava de viver melhor, e aquilo que já vivi até agora mostra-me que o futuro será muito semelhante (se não piorar). E não, não é pessimismo, é uma constatação, tendo em conta a minha idade, a minha realidade, a realidade do país.

 

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